Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2017

Crónicas da Maternidade

Crónica de 23 / 04 / 2017

Comecei a escrever aqui quando fui mãe.

Eram as crónicas de dias novos, de noites sem dormir, de uma vida nova: a vida de uma nova mãe.

Passaram três anos e tal. E há dias que penso: que raio tenho eu hoje a dizer sobre a maternidade?!

Não gosto de me armar nem em santa nem em dislumbrada: porra, há dias que ser mãe não é a melhor coisa do mundo! Não me lixem!

Há dias que é difícil. Há dias que queres fugir.

Ha dias que és só mulher. Só pessoa. Há dias que és tudo aquilo que te permitiu ser mãe. Excepto mãe.

Há dias que não há como escrever sobre ser mãe. Sobre folhos e amor. Babetes. Fraldas. Ou amamentação.

Não me lixem. Há dias que és só mais uma pessoa!

Podes armar-te em santa, e dizer mais uma vez o quanto amas os teus filhos. Ou podes armar-te em cassete, e dizer novamente como tudo te deslumbra nisto da maternidade.

Ou podes ser sincera. E dizer: hoje não tenho nada a dizer sobre a maternidade. Hoje apetece-me só falar de mim. A pessoa.

E foi assim que fui pensar porque raio tenho um blog de maternidade: eu não sou a deslumbrada dos folhos!

E percebi porquê: porque ser mãe revelou-me um mundo novo. Um mundo do qual fugi uma vida inteira.

Revelou-me que o amor e o sexo não eram como os li a vida inteira.

Que o dinheiro e o trabalho não tinham, para mim, a importância que lhes tinha dado.

Revelou-me que a minha relação com pessoas e solidão era outra. Que a minha relação comigo devia ser outra. Mais simples. Sincera. Destemida.

Por isso as crónicas da maternidade são sobre mim: sobre tudo o que a maternidade me obrigou a ver em mim.

Porque isso a maternidade é: crua e dura. Bela e forte.

E o que importa mesmo é que a pessoa por trás da maternidade também o seja.

Bem-vindos às crónicas de mim. Onde procuro o melhor que há em mim. Onde vos confesso que às vezes não encontro.

Mas onde assumo que nunca desisto. De mim. Aquela que existe antes da mãe.

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