Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2017

Porcaria de cérebro de mãe...

Crónica de 04 / 05 / 2017

Depois de 3 anos sem trabalhar, chegou a altura de tomar medidas sérias: vendi a minha casa.

Decisão difícil, ponderada, mas obviamente, para mim, a única que me devolve a liberdade de mulher, a liberdade de mãe: poder ter dinheiro para pagar as minhas contas.

A liberdade para mim é um assunto sério: desde muito jovem que, para mim, viajar, é tão importante como ter oxigénio para respirar.

Lembro-me de ter 5 anos, e eu era muito agarrada à minha mãe porque os meus pais são separados, e, um dia, a minha avó me dizer: Queres vir com os avós para o Brasil?

(O meu avô, teve, durante muitos anos dupla nacionalidade e eles iam lá amiúde.)

Aquilo fez soar 500 mil 890 campainhas na minha cabeça: eu não gostava de me afastar da minha mãe mas... a ideia de ver um mundo novo, de experimentar coisas novas, de Viajar! era superior a todos os meus medos de criança.

Fui nesse ano. E fui uma série de anos depois. Meses a fio. Fui estudar para Inglaterra, sozinha, aos 18 anos. E fui trabalhar no meio do mato em Moçambique aos 19. Tinha descoberto o meu ADN: o meu ADN é viajar.

Mas, como sabem, há 3 anos que tudo mudou: fui mãe. fechei a minha empresa. separei-me. Viajar não tem sido aquilo que posso fazer da forma que gosto... apesar de me recusar a assentar o rabo em casa :)

Ora então, onde íamos? ah, sim. vendi a minha casa. Posso só ficar com o dinheiro, não comprar outra e posso... posso viajar!

Bali!

O meu destino de sonho desde há muito!

Praia!

Sol!

Tranquilidade!

Cultura!

Pffffff!Que mais podia eu querer?!

Deixem estar, eu digo-vos: podia querer que, ser mãe, não fizesse nascer um novo cérebro dentro de nós, um cérebro prático, um cérebro que não comandamos, um cérebro que diz a todo o nosso corpo, mente e alma:

É isso o melhor para o teu filho?!

Será que a Clara vai dar valor a 24 horas de viagem para ir à praia?
Que vai apreciar o facto de ser uma cultura tão diferente?
Uma ilha?
Ou se a levasse à Costa da Caparica um mês ia dar ao mesmo?!
Ou devia só seguir o velho e clássico exemplo de guardar o dinheiro?!

Não sei... não sei... Ainda não sei mesmo o que vou decidir.

Mas sei uma coisa: sei que não vou decidir sozinha: será uma decisão a meias entre mim... e o meu cérebro de mãe... Porcaria de cérebro de mãe! quem disse que ele tinha direito a opinião? :p

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