Crónicas das Maternidade

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Autoria de Patrícia Costa
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2017

"As mamãs também precisam de mimo?!" perguntou-me.

Crónica de 09 / 05 / 2017

(Vivemos as duas num terceiro andar sem elevador. Esta conversa ocorreu hoje de manhã, ao sairmos de casa.)

Clara: Mamã podes levar-me ao colo?

Eu: Já és grande meu amor, deves descer sozinha. Só te levo, às vezes, por mimo.

Clara: Mamã quero mimo!

Eu: Ok! Então hoje levo-te ao colo... Depois dás-me tu mimo a mim.

Clara:... Mas as mamãs também precisam de mimo?

Eu: Claro que sim! Eu dou-te mimo a ti. E quem me dá mim?

Clara:... Não sei...

Eu: Podes ser tu! Dás-me um abraço e um beijinho?

Clara:Sim! :)

Disclamer:

Hoje em dia, é perpetuado acima de tudo por mulheres, a ideia de que ser mãe é ser uma mulher forte e invencível. É ser fonte infinita de amor pelas crias e pelo marido. É gostar de cuidar do lar, das roupas. É ser feliz e realizada pelo simples facto de ser mãe. É perpetuada a ideia que de que somos fontes infinitas de amor maternal e domestico, ainda por cima lindas e que ainda combatem a celulite!

Essa ideia falsa de que a mulher não se cansa, não precisa de gasolina dos afectos perpetua uma mentira sobre quem nós mulheres somos. Perpetua uma falsa ideia do que é ser mãe.

Faz de conta de que não precisamos de amor e carinho. de afecto e beijos. Faz de conta que, de vez em quando, não temos só vontade de largar tudo e chorar. Faz de conta que nos sentimos sempre capazes de tudo. Quando não é verdade. E ainda bem.

A ideia de que até existem marido querido que mudam fraldas é muito bom se a mulher já estiver a caminhar para uma fase geriátrica de incontinência. Porque um marido que muda fraldas é um bom pai. Não um bom marido. Um bom marido deixa post-it no WC a dizer amo-te, faz jantar no chão da varanda para irem jantar fora, dá beijos e abraços. E mimos.

E eu não quero que um dia inche o peito e diga em alta voz que é forte. Enquanto esconde as lágrimas para ninguém ver. Não. Quero que, um dia, ela diga que é mimada. E amada. Independentemente de mudarem ou não fraldas.

E que saiba que qualquer pessoa que lhe oferecer menos que isso não a merece. Porque ela, mulher, merecerá todo o mimo do mundo. Como todas nós merecemos.

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