Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
Todos os direitos reservados.
2017

A democracia, a internet e a parentalidade.

Crónica de 17 / 05 / 2017

Muito se tem falado sobre um vídeo feito por vários jovens, de uma jovem, posteriormente partilhado e feito público por um meio social.

Confesso-vos que não consigo não me pronunciar pois acho tudo tão mau, tão errado, que ou faço as malas e fujo deste mundo para que a minha filha nunca sequer corra o risco de viver nele, ou, não sendo isso fácil, tento contribuir para que o mundo possa mudar, nem que seja um pouco, até ela crescer.

Tenho defendido que a internet matou a democracia pois a internet põe a nu, às vezes, infelizmente, literalmente, o pior que há em cada ser humano.

Perante a discórdia, perante a desgraça, perante a intolerância, o ser humano, munido de uma fantástica arma chamada ecrã, filma, escreve, partilha o que pior há na evolução humana. Comportamentos que até fazem duvidar que tenhamos evoluído.

Costuma dizer-se que a minha liberdade acaba quando começa a tua e acredito que muitos pais tenham isso em mente. Se não como pais, então como adultos. Porque ninguém gosta de vizinhos que ponham musica alta à meia noite ou deixe um saco de lixo aberto à porta do prédio.

Acredito que estes pais ensinem os filhos a serem assim. E que eles também o sejam. Ou pelo menos gostava de acreditar... pois a verdade é que as praias continuam a ter beatas, a rua continua a estar cheia de lixo e os locais de estacionamento reservados para pessoas com deficiência sempre utilizados por um qualquer engraçado que se acha especial.

Sim, continuamos a achar que temos mais direitos que os outros. E que, eventualmente, isso se deve aplicar aos nossos filhos.

A internet tem mostrado isso mesmo: infelizmente, ainda não somos, de facto, capazes, de, sozinhos, construir um mundo bonito.

Mas quando essa ideia de que os direitos de uns são superiores aos dos outros encontra a internet, então, desculpem-me a expressão, é como se a merda tivesse atingido uma ventoinha (shit hits the fan).

Perante tudo isto, e porque não queria já fugir para outro mundo, resta-me esperar que todos os miúdos envolvidos neste filme apanhem uns bons açoites quando chegarem a casa. E, se quiserem filmar, filmem esses tabefes educativos.

E que o meio de comunicação que achou, por bem, divulgar estas imagens sem proteger a identidade de ninguém, seja, também ele, receptor de uns tabefes da profissão. Também conhecido como uma bela queixa.

Não sei se um dia não fugirei mesmo deste mundo. Enquanto não o faço, resta-me dizer que democracia, internet e parentalidade estão ligados. Lembremo-nos sempre disso.

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