Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2017

Slow Parenting (ou Pais sem Pressa)

Crónica de 17 / 05 / 2017

"Calça-te rápido que estamos atrasados para a escola!"

"Come depressa que está tudo à tua espera!"

"A descer as escadas a essa velocidade nunca mais lá c chegamos!"

Não são, felizmente, hábitos cá de casa porque tenho a sorte de trabalhar em casa. Mas são frases que já disse várias vezes, especialmente quando a minha pressa fala mais alto que qualquer outro tempo.

E sei que, infelizmente, não é o que se passa em muitas casas. A pressa de chegar à escola, inclui a pressa do trajecto, e a pressa do trajecto está ligada à pressa de chegar ao trabalho. Ou de sair dele. Para fazer, com pressa, o caminho inverso. Acrescentando um cozinhar de algo, uma ou outra actividade e algum telefonema ou ingrediente esquecido da mercearia.

Dizemo-nos, a nós próprios, que esta é a velocidade da vida. Que tem de ser. Que eles, as crianças, têm que se despachar porque não têm responsabilidades mas têm de aprender a ter.

Dizemo-nos também, baixinho, sem ninguém ouvir, que era tão bom se a vida fosse mais lenta.

O movimento do Slow parenting (ou Pais sem Pressa) diz exactamente que somos nós quem tem necessidade de sobre-estimular os filhos, de os manter, desde cedo e quanto antes, à velocidade da nossa vida. Aquela mesma velocidade que nos consome.

O movimento fala muito da estimulação ao desenvolvimento. Eu falo mesmo da pressa.

Não era tão bom que eles pudessem demorar 15 minutos a calçar-se? 10 minutos a descer as escadas? Não sentem que, se pudessem, a vida tinha exactamente o tempo que as crianças querem e não o outro? Acelerado? Apressado?

A vida não muda porque queremos. Mas nós sim. Podemos ter mais calma. Fazer mais devagar. Ou não fazer mesmo.

Podemos também nós ser crianças. Pelo menos um bocadinho. Todos os dias um bocadinho.

O desafio que vos gostava de deixar era esse: o que é que fazem rápido que gostavam de fazer devagar? Experimentem um dia fazê-lo. No tempo que o tempo decidir levar. E depois digam-me ao que sabe.

Saborear a vida, com tempo, é das maiores riquezas que as crianças nos transmitem. Bora aprender com elas?

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