Crónicas das Maternidade

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Autoria de Patrícia Costa
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2017

Dicas para sobreviver a ser mãe "a tempo inteiro"

Crónica de 19 / 05 / 2017

Já mais de uma mão cheia de pessoas me pergunta como é que eu faço para ser "mãe a tempo inteiro" (está entre-aprentesej pois, na verdade, todas somos sempre mães a tempo inteiro só que eu embirro com a expressão mãe doméstica)

Sim, a verdade é que a maioria das pessoas acha um bicho de 7 cabeças a quantidade de horas que eu passo por dia com a minha filha há já uns quantos anos. Ora como parece ser algo que eu faço bem, e como o ser humano gosta de saber que faz algo bem, aqui ficam algumas dicas que eu uso para sobreviver viver 24 horas por dia com a minha filha.

Não sejam o Donald Trump: comprar todas as guerras do mundo só vos vai transformar no Trump: andarão sempre coléricas, despenteado, enraivecidas e pouco esteticamente ruborizadas. Logo, sugiro que não comprem as guerras todas. Até porque não vale a pena. Escolham as importantes e, nessas sim, esperneiem o que vos apetecer.

Rei Malvado Vs. Avô Cantigas: A maior parte das pessoas que não convive diariamente com uma criança, espera que sejamos umas governantas alemães a impor a ordem constantemente. Lá está: não comprem guerras. Digam-lhes que sim, que são umas malvadonas em casa, que só com um olhar conseguem que os putos façam o jantar e estendam uma máquina de roupa enquanto cantam música erudita. Em casa, à porta fechada, sugiro negociarem tudo. Expliquem, conversem, negociem. Será sempre melhor que, quando crescerem, os filhos prefiram explicar porque chegaram às 3 da manhã em vez de dizerem só que chegaram porque sim.

Guiness da plasticina? Deixem lá isso! Só porque estão em casa não têm de ganhar o guiness da mãe que passou mais horas a fazer plasticina. Também não é preciso estar sempre a entreter as crianças. Aliás, uma parte importante do desenvolvimento é as crianças saberem entreter-se sozinhas.

A Cinderela? É da Disney! A transformação de uma gata borralheira em princesa como que por obra e graça do espirito santo ou da fada madrinha não acontece na vida real. Ou melhor, acontece se lhe pagarem para o fazer e chama-se empregada. Se estão em casa com as crianças e não têm uma fada paga têm mesmo de escolher: ou são mães ou são Cinderelas. Porque sim, as crianças vão passar maior parte do tempo a desarrumar. Se vocês passarem todo a arrumar, não fazem mais nada.

Só não vale batota se forem apanhadas: xixi demora 2 minutos a fazer mas ficaram lá 5 só para estar um bocado sozinhas? O refugado tem o lume no mínimo porque na cozinha ninguém vos chateia? Deixem estar. Mesmo. Vão ficar na historia como mães dedicadas. E isso é que importa. E não serem apanhadas claro. Isso é crucial.

Treinem para Miss Universo: lembram-se de ver aqueles concursos de Miss? Onde elas acenam e sorriem qual barbies? Pois é, só porque estamos em casa não temos porque não treinar para Miss. Até porque será indispensável onde toda a gente que tem um bitaite a dar, ou seja toda a gente, começar a dizer o que devíamos estar a fazer diferente.

Não têm tempo nem paciência? Arranjem um cão. Se são daquelas pessoas que acham que não têm tempo nem paciência para crianças, que preferem crianças que não ocupam espaço, e que gostam mesmo é de fazer cuxi cuxi e depois ir descansar, arranjem um cão. Ou melhor, arranjem um hamster que esse sim será feliz com 2 segundos de atenção por dia. Os filhos exigem tempo e paciência, há que arranja-los.

Deixem o Masterchef para os Chefs: as crianças precisam de hidratos + legumes + proteína certo? Sabem que na pratica isto são massas mais um ovo mais uns espinafres ou brócolos? Se não sabem ficam a saber. Se os vossos putos ainda não sabem que a mãe pode cozinhar em 10 minutos e querem comer comem, não querem não comem, inscrevam-nos a eles no Masterchef e digam que vão ficar a torcer por eles. No sofá.

Ai córror as tecnologias! Sim, é verdade. Há 2 mil anos atras elas cresceriam a olhar para as vacas a pastar. Feliz ou infelizmente, há poucas vacas a pastar à janela ou na rua. Até porque se não o transito era ainda pior. Sim, existem televisões, iPads, telefones, computadores! bem-vindos ao século XXI! Só porque eles os veem 5, 10, 15 ou 20 minutos não quer dizer que vão ser engolidos por um. O balanço é possível e deve ser procurado. À falta de uma máquina do tempo para se viajar para há 2 mil anos atrás...

Xeque-Mate! Tal como no xadrez, pode-se (e deve-se!) conjugar a existência de regras e de brincadeira. Às vezes não passa mesmo disso: saberem todas as regras, para que possam jogar à vontade. Acho importante haver e saberem as regras. Para as poderem quebrar. E nós também. Afinal de contas, somos a Miss Universo. Há qualquer coisa que já fizemos muito bem ;)

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