Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2017

Partilhar um filho

Crónica de 23 / 05 / 2017

Depois de uma separação ou divórcio, um dos temas "quentes" é a partilha dos filhos.

O tema é quente por várias razões. Mas ele, acima de tudo difícil. É quente porque é difícil.

Acredito que mesmo nas separações mais amigáveis e gentis, resta sempre alguma mágoa, alguma dor, alguma sensação de falhanço numa relação onde se investiu.

Daqui para a frente, quando se fala dos filhos, fala-se na partilha dos filhos. E, dependendo se a separação causa "lados", toda a gente terá algo a dizer.

O que toda a gente se parece esquecer, nesta coisa da partilha dos filhos, é que os dois pais partilham um filho desde que ele nasceu. Não é a separação que os faz partilhar.

Quando um pai trabalha fora de casa ou do país, ninguém acha que se está partilhar um filho.

Quando os pais estão separados, há pessoas que fazem contas à meia hora.

Não percebo como se pode achar que uma hora dividida em duas meias horas e uma discussão é melhor que qualquer outra divisão sem discussão.

Não percebo como se pode pensar que nesta coisa da partilha, se algum dos pais fica a ganhar. Independentemente dos filho ficarem a perder.

Os pais partilharão para sempre aquele filho. E para sempre estarão unidos nele. Mas o filho não partilha: tem naqueles dois pais a sua família, tem naqueles dois seres o seu todo.

E esse filho, vos garanto na primeira pessoa, irá, para sempre, lembrar-se mais de uma discussão do que de uma meia hora.

Cada família é um caso e cada historia é uma historia. Mas dois pais que se mantenham amigos são a melhor história de uma família. De todas as historias.

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