Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2017

O dia que percebes que sabes ouvir o teu coração

Crónica de 25 / 05 / 2017

Não vos tenho contado tudo sobre as últimas semanas mas talvez tenham notado nos meus textos: uma certa distância, de quem não está muito bem com os pés na terra.

Apesar de escrever diariamente e escrever muito, há momentos em que não consigo trazer para aqui o me vai na alma: aconteceu quando me estava a separar e aconteceu agora: quando recebi uma proposta de trabalho bastante bem paga para fora do país.

Há uma série de situações na vida que não são preto no branco: são 50 sombras de cinzento sem qualquer interesse sexy ou mesmo pontada de interesse!

Pensas nos prós e contras das coisas. Pensas que já não podes pensar só por ti. Pensas, pensas, pensas...

Precisas de dinheiro para pagar contas! E, quase com 40 anos, não estás exactamente no inicio de carreira... Mas pensas na tua filha, na família, tua e dela, e no peso que têm as tuas escolhas versus as que achas que ela teria.

Pensas, pensas, pensas... Começas a ter insónias, a andar com a cabeça na lua, e praticamente a deitar fumo do cocuruto.

Sendo eu do género impulsivo e reactivo, há algo que a idade me ensinou: se não sabes o que hás-de fazer, não faças nada. Espera, espera até que oiças exactamente o que te vai na alma.

As decisões certas só são certas para nós. Só nós temos de viver bem com elas. Podem parecer erradas aos olhos dos outros. Iluminadas aos outros de outros tantos. Mas é quando deitamos a cabeça na almofada que sabemos se a decisão foi certa ou não.

Com tudo isto na panela há umas semanas o que me dizia o meu coração?

Ajudou-me olhar para trás. para estes quase 40 anos. Ajudou-me olhar para todas as vezes que não ouvi o meu coração. E fui apenas atrás do que parecia certo.

E percebi que o meu coração tinha uma resposta. Que nunca, mas nunca, é certa ou errada. É apenas a resposta do nosso coração.

Aquele que, se não ouvirmos, continuaremos para sempre sem perceber porque as coisas não são como gostávamos.

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