Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2017

Amor a mais não entope. Transborda.

Crónica de 25 / 05 / 2017

Sermos mães é, sem duvida, um processo. Foi, pelo menos, no meu caso.

Eu sou daquelas pessoas que passou a respirar ser mãe. Depois de passar 9 meses em negação de que a maternidade me haveria de transformar.

Desde o início, que qual cataratas de Niágara, os sentimentos, as emoções, a confusão entre a pessoa que eu era e aquela me quem me estava a transformar, tomaram conta de mim.

Fui, qual animal no escuro, tacteando o meu caminho. Não sabia a mínima ideia do que estava a acontecer. Mas sabia que tinha de sentir permanentemente que estava a fazer o meu melhor.

Não consegui amamentar e chorei baba e ranho. E na ausência do contacto físico por não amamentar, adoptamos o co-sleeping como maneira de ambas sentirmos que o vinculo não desaparecia. Eu, animal no escuro, sentia que a minha filha precisava de toque. de calor. de mim. E eu dela.

Nunca a deixei com ninguém para sair à noite. E por isso a minha vida mudou bastante: passei a ver apenas quem me visitava... ou combinava coisas comigo durante o dia. Já disse que passei a respirar ser mãe não já?

Respeitei sempre os horários dela: acho que só a partir dos 2 anos é que passei a ser mais flexível com os horários.

Mas também nunca deixei de viajar com ela, Leva-la para todo o lado, e deixa-la conhecer o mundo tal qual ele é: um mundo onde somos muitos e muito diferentes. E onde nenhum brinquedo substitui um abraço.

Passaram-se mais de 3 anos e eu já consigo ver esses tempos à distancia. Consigo ver os olhares desconfiados de quem acha que eu estava demasiado apegada a ela. Consigo ouvir as palavras de desconfiança de quem acha que sabe a melhor maneira de fazer as coisas.

Mas consigo ver, acima de tudo, algo que é tudo o que preciso ver: uma criança segura de si, cheia de alegria e felicidade, que nunca chorou na escola, que faz amigos como ninguém. Que pede e dá afecto. Que é feliz. E não preciso de ver mais nada.

Porque tenho a prova que amor a mais não entope. Transborda.

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