Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2017

Crónicas de mulher

Crónica de 31 / 05 / 2017

Não sei se se passará o mesmo com outras bloggers da "maternidade" ou se sou só eu: há dias que não me corre nem um nano-micro pensamento de mãe.

Quer dizer, sim! O que ela vai vestir, o que ela consegue desarrumar entre as 8 e 9 da manhã, o que tenho de descongelar para o jantar, busca-la à escola, etc. A pate prática de ser mãe está lá sempre sim.

Mas no fundo, no fundo de mim? Não. Nem sempre.

Louvo quem consegue falar todos os dias de ser mãe como se fosse uma fonte inesgotável, sempre a jorrar água. Constante. Pujante. Permanente.

Eu confesso-vos que há dias que todos os meus pensamentos mais profundos estão longe da maternidade. Estão nas pessoas que cruzam a minha vida. Ou no que fazer com a minha vida profissional. Às vezes até mesmo na dieta que quero começar.

Às vezes, sou só mulher. Sem qualquer pretensão sequer de ser super mulher. Às vezes, quero mesmo só ter uma vida simples, e sentar-me no sofá e ver porcaria na televisão.

E sabem que mais? Acho importante assumi-lo. Assumir que ser mãe não é ser sempre mãe. Que as crónicas da maternidade deixam muitas vezes de lado os temas que verdadeiramente apoquentam a cabeça de uma (desta...) mãe e que, fazer de conta que a maternidade é um eterno manto cor-de-rosa que pode consumir permanente e calmamente a mente de uma mulher é uma enorme ilusão gráfica.

Então hoje escrevo apenas a crónica de uma mulher. Que também é mãe. Mas se recusa a ser só isso.

Hoje, no dia da criança, gostava de contrariar a tendência de dizer que as crianças são o melhor do mundo para dizer que todos somos um pouco criança. Porque todos somos um pouco tudo.

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