Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
Todos os direitos reservados.
2017

O preço de ser mulher

Crónica de 01 / 06 / 2017

Depois de uns anos de orçamento muuuuuuito complicado, consegui este mês uma folga que me permitiu poder gastar algum dinheiro sem contar os euros.

Decidi então, ainda por cima com a chegada do verão, que ia tratar de mim! Cabelo (só raízes, nada de excêntrico), mãos, pés, depilação (sim, que uma pessoa é solteira mas vai à praia!...:p), pestanas, sobrancelhas, e buço!

Algumas destas, requerem manutenção duas vezes por mês: mãos, pés, buço e sobrancelhas (simplesmente porque se estragam ou crescem), as outras podem aguentar um mês, mas no mês seguinte, pimba! toca de gastar o euro!

cabelo - 30€
sobrancelhas e buço - 15€
pés e depilação - 25€
pestanas - 20€
mãos - 15€

Claro que tudo isto pode ser feito por menos dinheiro mas nunca será por zero... E o que vos quero eu verdadeiramente dizer? É que vivemos num mundo que põe a bitola muito alta nisto de ser mulher, sendo que ela não é alta por requerer esforço (como um desporto!) ou dedicação (como a ciência!) ela é alta porque requer que gastemos muito dinheiro... Dinheiro esse que temos de trabalhar (muito!) para ganhar.

Esta bitola não vem de mérito nem de reconhecimento: vem de uma apreciação visual e estética da embalagem que sim, obviamente até nós sabemos que faz diferença à vista (nós sabemos quando andamos desgrenhadas, com olheiras e com o bigode a enrolar nas pontas...) e, por mais que toda e qualquer mulher seja muito mais que a sua aparência, não deixamos de estar, nós próprias, sujeitas a sentirmos-nos melhor ou pior consoante o que vemos ao espelho.

E quando se comenta que as mulheres são cada vez mães mais tarde porque põem a carreira primeiro, o que as mães são, de uma forma geral, mais "desmazeladas" estamos todos, sempre, a perpetuar esta ilusão de que também somos o que parecemos.

Sou a primeira a gostar de me sentir bonita e de gostar do que vejo ao espelho. O que gostava é que, quando estou menos bem arranjada, tratada, penteada ou maquilhada, não haja uma universal desvalorização da minha pessoa.

Os momentos mais felizes da minha vida foram vividos com muitos poucos adereços estéticos.

Pelo que a próxima vez que me disserem que estou com mau aspecto, dou o meu NIB e digo: sabes que podes resolver esse problema?

Mas se disserem que estou com muito bom aspecto, darei na mesma o meu NIB e digo: sabes que podes ajudar-me a andar sempre assim?

Acho que assim conseguirei desviar o tema das aparências. Quem sabe um dia até só se fala de como as pessoas se sentem... ao invés de como aparentam ;)

Mais Crónicas:

-->