Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2017

Tenho de vos confessar...

Crónica de 01 / 06 / 2017

Que no Dia da Criança, o meu maior sentimento tem sido de nostalgia, de saudades, saudades de ser criança.

Eu fui criança até muito tarde sabem? Fui criança até aos 35, altura em que fui mãe...

Até há 3 anos a minha mente apenas pensava no que queria fazer e podia mudar de ideias só porque sim.

Conseguia dormir 3 ou 13 horas.

Ficar o dia todos de pijama ou não ir a casa dormir.

Comer pão uma semana ou fazer a dieta do ananás.

Olhava para a conta bancária e só precisava que fosse positivo.

Até há 3 anos, eu não tinha ideia de como a vida às vezes acontece toda na nossa cabeça, no peso, na profundidade de cada decisão e cada momento.

Não pensava non impacto do meu tom de voz ou na importância de um abraço diário.

E jamais pensava às 6 da tarde de um dia de verão que tinha de ir para casa cozinhar.

Acho que até há 3 anos eu não pensava. Era isso. Vivia ao sabor do vento.

Juro que tenho tentado trazer esse sentimento para a maternidade: o sentimento de quem não atira a pressa da vida para a cara de uma criança.

Mas até para lhes passar essa sensação de vida lenta, tens de pensar: pensar em como a mensagem é acertada e não só o espelho dos teus desejos.

E, por isso, hoje decidi fazer o dia sobre mim: sobre a criança que há em mim. E assumir que tenho saudades dessa vida despreocupada, lenta e inconsequente.

E posso dize-lo hoje, porque amanhã serei crescida de novo.

E posso dize-lo hoje, para comemorar devidamente com a outra criança da minha vida: a minha filha.

E posso dize-lo hoje, apesar de fazer sentido, todos os dias, dizer que, só por tê-la na minha vida, valeu a pena crescer. Mesmo que crescer custe. Vale a pena crescer para ser mãe dela. Para ser criança com ela. Para estar ao lado dela.

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