Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2017

Mamã brinca comigo!

Crónica de 07 / 06 / 2017

Vou-vos dizer a verdade: há dias que ler sobre bebés me traz saudades. Outros que nem por isso.

As leituras sobre a maternidade, para mim, dividem-se entre as mães de bebés pequenos e as outras.

Lê-se na intensidade da escrita, das emoções sentidas, da relativa importância atribuída ao sono, da exacerbada sensação de amor que uma mãe o é de um filho pequeno.

Todas o sentimos. Todas sabemos o que é. Todas sabemos que passa.

Com o crescimento dele, as hormonas desaparecem e o cansaço ganha volume. As tarefas associadas à educação partilham o pódio com as associadas ao mimo. A rotina instala-se. E, às vezes, não somos mais a mãe que, afincadamente, há uns amos jurámos que íamos ser.

Se por um lado, isto é bom - ninguém aguentaria uma vida a deitar os bofes de fora por amor - por outro lado, há pequenas grandes coisas que se perdem.

Perde-se aquele contacto fisico permanente. Dilui-se a ideia de que queremos aproveitar tudo porque passa rápido. Deixa de ser tão emergente gritar ao mundo que nunca sentimos amor como aquele.

Passada esta fase, voltamos a nós, agora com uma criança, já não nos braços, mas a caminhar pelo seu próprio pé.

Olho para trás e tenho saudades dessa intensidade. Apesar de saber que tudo na maternidade é uma fase: tens de saber estar grávida sem te sentir só à espera, saber tê-los ao colo sabendo que um dia deixarão de estar, e saber vê-los a correr sabendo que vários dias te esquecerás que farão bebés.

Acontece naqueles dias, que estás cansada, que já não aguentas olhar para a pilha de roupa que se acumula mesmo que a tenhas escondido num quarto sem uso, que já não consegues pensar em nada original para cozinhar pela 5ª vez na semana, quando percebes que só querias mesmo era uns bons minutos (horas?) a olhar para a televisão ou o telemóvel, a vegetar descansar.

Tens um filho irrequieto e lembraste, a ti e relembras-lhe a ele, dos brinquedos que tem e que lhe compraste.

Mamã brinca comigo!

Diz ele quando consegue dar voz aos seus desejos, em vez de os transformar numa birra.

E aí percebes que por mais que tu tenhas deixado de ser a mãe que podia dar colo permanentemente, que ele tenha deixado de ser o bebé que se aninhava a ti todo o dia, por mais que ambos tenham crescido, algo não mudou: a mãe que um dia quiseste ser.

Larga tudo e vai brincar. Vai aproveitar o teu (ainda) bebé. Lembra-te o quanto quiseste que crescesse para brincar com ele. Lembra-te que bom é já não mudar fraldas nem sentir o coração a fugir pela boca. Larga tudo e brinca. Larga também o passado. E liga-te ao agora: Mamã brinca!

Agora já brincam juntos! Não é tão bom? <3

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