Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2017

Simpatia. Empatia. E malta fixe.

Crónica de 08 / 06 / 2017

Cruzei-me com um texto esta semana que falava da importância da empatia na educação de uma criança (a tradução é do google, original em inglês aqui:

Um filho de 3 anos que grita: "Mamãe! Olhe que grande é o nariz daquele homem!" Provavelmente será educadamente calado pela sua mãe e ignorado pelo homem. Um adulto que faça uma declaração equivalente, no entanto, pode ficar com o seu nariz inchado em segundos. A diferença é muito mais do que uma questão de piada social. Não esperamos que os alunos de 3 anos compreendam como as coisas que dizem afectam as emoções de outras pessoas. Eles não são empáticos na forma como adultos ou até mesmo bem ajustados de 6 anos de idade são. Para simpatizar com alguém é entender o que ele está sentindo ou, mais apropriadamente, entender o que você sentiria se estivesse naquela situação. É uma extensão do autoconceito, mas é muito mais complexo.

A empatia é um conceito que vim a valorizar muito na vida. Conforme a vida me foi tirando o chão, primeiro o emprego e salário e depois a vida em família, fui sentindo que nada mais há de valor que a empatia natural de quem, nada tendo a receber, nos trata com carinho e nos apoia.

Acredito que a empatia seja algo indispensável neste mundo, cada vez mais agressivo e separatista. E gostava mesmo que fosse algo que vingasse no mundo onde a minha filha irá crescer.

Sim. Passa por lhe ensinar o que é. Mostrar-lhe fazendo-o. E por acreditar que, uma das aquisições mais importantes no crescimento é saber compreender e ajudar o outro. Mesmo que o outro seja diferente de nós.

Há uns meses, quando estava em faro, conheci a Samanta e, entre conversas, disse-lhe: "Mas porque não apareces em Moçambique? vamos lá estar 2 meses, podes vir com o teu pequeno!

E a Samanta apareceu.

Então e não se conheciam? Não. E convidaste-a para tua casa? Sim. E não tiveste receio que ela fosse assim ou assado? Não.

Eu sou daquelas malucas que acredita que gestos de simpatia, ao contrário de gestos de defesa, devem ser a nossa natureza.

Passados uns meses, enquanto falava com alguém que me pudesse apoiar numa viagem, recebi uma resposta que me tratava exactamente como descrevi: maluca. Então eu agora achava que a pessoa me ia apoiar não me conhecendo de lado nenhum?!

Confesso-vos que fiquei ferida. Sim, talvez eu seja meio maluca...

E depois li este texto sobre a importância da empatia na infância. Sobre a importância de ensinarmos as nossas crianças a socorrerem quem precisa em vez de virarem costas. De abraçarem quem chora. De consolarem quem precisa. De saberem chegar a quem não está nos seus próprios sapatos. Porque percebem, porque sabem, que o mundo existe para além do que sentem. E fiz as pazes. Comigo. Fiz as pazes comigo: não há nada de errado comigo.

E, assim, enquanto leem esta crónica, eu estou a chegar a Faro, onde vou passar uns dias com a minha amiga Samanta e a sua família. Passar uns dias a cultivar esta amizade que nasceu de um gesto ingénuo mas genuíno de duas estranhas que decidiram dar um abraço na vida uma da outra.

E diz que é aqui. O que não me parece nada mal :)

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