Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2017

3 + 2. Ou a história da Karine, e da luta pela vida do Caetano e do Benjamim.

Crónica de 19 / 06 / 2017

Olá.
O meu nome é Karine e com 33 anos (agora 34), sendo já mãe de 3 filhos (Carolina: 9 anos (quase 10); Bernardo: 7 anos; e Santiago: 4 anos), descubro que estou grávida de 12 semanas de gémeos verdadeiros!!!!

Embora uma quarta gravidez não fosse totalmente descartada por mim, não estava à espera que fosse tão cedo e muito menos de dois bebés. Foi um choque sim!

No espaço de uma semana, digerir a notícia e ficar a saber que seria uma gravidez de risco não foi fácil, mas eu mal sabia o que realmente me esperava…

Poucas semanas depois, médicas começam a dizer que um dos bebés está muito pequeno em detrimento de outro e que tenho de ter muita vigilância, mas não explicam muito bem porquê… Lá vou eu para a Internet à procura de respostas e encontro o que acabariam por me confirmar depois. Gémeos sofrem de Síndrome de Transfusão Feto-Fetal: conexões vasculares entre a circulação dos bebés fazem com que o volume de sangue fique desigual entre os bebés. Enquanto um tem um pequeno volume de sangue o outro tem um volume excessivo. O gémeo doador tem pouco sangue e portanto pouco líquido amniótico enquanto o gémeo recetor tem o volume excessivo e tem muito líquido amniótico. O doador é frequentemente pequeno e privado de nutrientes e oxigénio. O recetor tem uma sobrecarga no sistema cardiovascular, que podem comprometer a função cardíaca.

Começam as idas à maternidade de 2 em 2 dias, porque o único tratamento possível não é feito em Portugal e valores do líquido amniótico têm de atingir determinados valores para ser submetida a laser! Foram umas 3 semanas de sufoco, a ouvir dizer que ainda não estava no ponto!!! Às 19 semanas lá fui para Barcelona para fazer intervenção a laser por via endoscópica. Este procedimento requer uma pequena incisão no abdómen da mãe para inserir um pequeno tubo de metal dentro da cavidade uterina. Por este tubo o cirurgião coloca uma câmara de vídeo e uma fibra ótica. Por meio disto ele identifica as ligações sanguíneas da placenta e aplica o laser para fazer com que estas ligações se interrompam. Depois disto o excesso de líquido amniótico é drenado da cavidade do feto recetor. Não há garantias de sobrevivência dos dois fetos.
Graças a Deus, a intervenção correu bem, no entanto, médicos espanhóis não deram muitas garantias quanto à sobrevivência do gémeo mais pequeno, uma vez que a discrepância entre irmãos era muito grande.

Até hoje, de 28 semanas de gestação, o pequeno tem vindo a crescer aos poucos, mas continuam a não dar garantias por se tratar de uma gravidez de alto risco, isto porque além do tal Síndrome, a minha placenta é muito baixa, correndo risco de hemorragias e parto prematuro.

O parto está marcado para as 34 semanas, mas caso o mais pequeno não se desenvolva agora muito mais, poderei ser submetida a cesariana mais cedo…

Como pode ver, esta gravidez tem sido um sufoco todos os dias. Os irmãos acolheram bem a notícia, mas ouvir a mais velha a perguntar se irmão pequeno sempre irá nascer custa muito porque é uma pergunta à qual não lhe posso dar resposta certa.

Agora, embora mais esperançosa, o medo voltou por saber que o pequeno Caetano poderá nascer com pouco mais de um quilo enquanto que o Benjamim já ultrapassou essa barreira.

“Um dia de cada vez” foi e continua a ser a expressão mais ouvida nesta gravidez…

Esta é a minha história…o final só o descobriremos daqui a uns tempitos.

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