Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2017

Porque é que a maternidade nos muda?

Crónica de 20 / 06 / 2017

Estava, no outro dia, à conversa com uma mãe de uma filha de 12 anos.

A conversa foi parar às opções, nomeadamente, à minha de ser uma mãe tão presente.

Quando a minha filha tinha 3 anos disse deu entrada no hospital e disseram-me que não sabiam o que tinha. Podia ser leucemia. Mas ela não iria sair mais do hospital. Tudo o que ela tinha eram umas nódoas negras.

A menina recuperou. Talvez tenha sido apenas um vírus. esta mãe nunca mais recuperou.

Talvez hoje em dia ela seja egoísta porque não quer que eu saia do pé dela... mas a ideia de a perder tranformou-me, para sempre. Contou-me enquanto as lágrimas rolavam, silenciosas e tímidas.

Pois é. Talvez tenhas 5 filhos e nunca nada te confrontou. Ou tenhas só uma que pôs em questão tudo o que eras. Carreira. Marido. Dinheiro. Amigos. Que te pôs em questão a TI e a tudo o que sabias sobre ti.

Basta uma história. Um filho. Uma doença. Para que fiques do avesso. De pernas para o ar. Sem referências, para sempre. Sem qualquer memória de quem foste ou para onde caminhavas.

Muita gente pode olhar e não reconhecer esta linguagem. Não faz mal. Talvez também nós não percebamos a vossa. Não é crucial que falemos todos a mesma língua. Apenas que respeitemos a dos outros.

Custa. Claro que custa. Custa (re)nascer tão tarde na vida. Porque basicamente quem sente assim nasce de novo quando é mãe.

E como não havia de nos mudar algo que nos faz dar vida a um ser enquanto nascemos ao mesmo tempo?

Não tenho a certeza do fim desta história, de quem (re)nasce com a maternidade mas também hoje em dia não tenho a certeza do fim de nenhuma história.

Sei apenas que nascer é viver tudo de novo, com o coração lavado. E só por isso já valeu a pena (eu) ter nascido de novo

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