Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2017

O mais difícil? A consistência de ser mãe.

Crónica de 27 / 06 / 2017

Sou, de alguma maneira, defensora da flexibilidade.

Saber fazer de tudo um pouco, saber adaptar-se se em vez de carne vier peixe, se em vez de 3 forem 3.30.

Sempre acreditei que uma vida flexível reflecte uma mente elástica, algo que para mim é chave para aceitar o mundo omo ele é. Em vez de como gostávamos que fosse.

Esta visão do mundo reflectiu-se, na totalidade, na minha maneira de viver, eventualmente até à exaustão: nunca fui adepta de despertadores, rotina, ou previsibilidade.

Um delicia. Até ter sido mãe.

Ao inicio dava-me segurança conseguir ser mais organizada que o Papa, ainda assim mais flexível que o seu protocolo: a comida servia-se à hora certa, mais ou menos 5 minutos, a bebé dormia às horas que devia, mais ou menos 5 minutos, e os medicamentes jamais eram esquecidos, nem mais nem menos 5 minutos.

Esta organização organizava a minha mente tendenciosamente desorganizada. Mas a minha flexibilidade permitia-me estar sempre cool se algo resvala-se um pouco. O inicio da vida de mãe parecia apontar para um jogo onde eu ganhava 10 à zero à maternidade. Eu disse parecia, não foi?

Com os meses, vieram os anos, com a dúvida da minha capacidade de ser mãe, vieram as certezas que consigo ser mãe e dona de casa ao mesmo tempo.

Com o tempo veio a solidez da consistência. Com a certeza que ela te traz que, olhes para trás ou para a frente, sabes o que vais fazer. E sabes que o sabes fazer.

E é esta consistência que, para mim, tem sido o mais difícil... Porque às vezes queria só chorar e não posso. Queria comer porcaria mas daria um mau exemplo. Às vezes gostava de ver TV e fazer de conta que o mundo lá fora não entra dentro de minha casa mas não seria possível.

Outras queria apenas ir dançar e deitar-me tarde. Ou só mesmo acordar tarde porque é sábado! Às vezes gostava de voltar a tomar o pequeno-almoço ao meio dia ou jantar às 10 da noite.

Às vezes, por uma vez, gostava de não ter de ser consistente. Gostava de ser o que me apetecesse, quando me apetecesse e só porque me apetecia!

Mas, como todas as lições da vida, esta é a minha maior: a consistência é difícil, mas compensa. Compensa amar com consistência. Compensa dar colo consistentemente. Compensa olharem-te nos olhos e saberem-te lá. Consistentemente.

As maiores lições de vida não são fáceis. São é mesmo aquelas que, por tanto nos obrigarem a crescer, fazem de nós pessoas melhor. Consistentemente.

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