Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2017

Festivais de Crianças, Blogs, e hormonas (ou só mau feitio!)

Crónica de 03 / 07 / 2017

Na semana passada lá fui eu a um daqueles conhecidos festivais de crianças.

Tal qual qualquer outro festival, a policia começa por ir dando vazão aos transeuntes como se afinal, tudo o que quiséssemos, era, levar umas cervejas para dentro do recinto.

Não meu caro senhor, a preocupação era mesmo de poder estacionar perto do recinto porque, sabe, as crianças não são famosas por fazer maratonas!

Entras no recinto e, tal qual um qualquer festival, as marcas patrocinadoras querem dar-te a sensação de que te estão a oferecer algo e, desde balões àqueles sacos com um sumo ou nada lá dentro, vão-te oferecendo tudo cheio de logotipos de coisas que os teus filhos vão querer muito.

Vais para o dito recinto e, tal qual qualquer festival, a ideia é chegar à frente e ver bem. Valeu apenas que as crianças são mais civilizadas que os adultos e então não se empurram (esperem, eu vou mudar de ideias daqui a 2 parágrafos).

Vendem-se sumos, refrigerantes, algodão doce, hamburgers e outras cenas obviamente indispensáveis ao crescimento saudável das crianças.

E, passado hora e meia, (para as crianças não se cansarem muito, certamente) tem de abrir um corredor com segurança privada (sim, aqueles que fazem discotecas às 6 da manhã e têm tamanho para fazer cair uma pessoa só com um sopro) para passarem as mascotes.

Porquê? Perguntam vocês. Porque as crianças, com apoio dos pais, agora sim perderam as estribeiras, ou já têm o bucho cheio de açúcar e estão em delírio, e querem tocar (tooooocar....) na mascote isto ou aquilo que, penso eu, deve ter lá dentro um puto bem menos famoso e a morrer de calor que até beberia uma bebida energética para sair dali a voar.

Pensei nisto tudo e depois pensei que não o podia escrever. Depois lembrei-me que ainda bem que paguei o meu próprio bilhete então posso dizer o que quiser. De outra forma talvez o que tivesse de fazer era meter 500 fotos da minha filha a divertir-se.

E voltei a ficar chocada porque talvez seja isso que e espera e se for eu estou em rota de colisão com isso: o de ser suposto partilhar fotos de alguém que não escolheu ser "famosa" (ok eu vou pondo algumas mas apenas uma quantidade que me permite estar bem com a minha consciência :p)

Estou naquela altura do mês e talvez isso justifique tanto mau feitio impacto hormonal.

Ou então não e devemos repensar que adultos gostávamos que os nossos filhos sejam e o trabalho que isso dá desde já.

Quando todo este mau feitio impacto hormonal passar, talvez me esqueça de tudo. E acabe, para o ano ou quando ela pedir ou mesmo só quando eu me esquecer, num outro qualquer festival infantil.

Mas neste momento de mau feitio impacto hormonal gosto de pensar que esta é uma reflexão saudável: se passamos a vida a dizer às crianças que é saudável desejar o que não se tem, em vez de que podem conseguir tudo o que quiserem, corremos o risco de que, em adultos, prefiram ir ver a mascote do que serem o ídolo de alguém, e que prefiram ver fotos dos outros a divertirem-se em vez de irem eles próprios divertir-se.

Tanto mau feitio impacto hormonal tem que dar para alguma coisa!

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