Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2018

A vingança é um prato que se serve ... com sono!

Crónica de 05 / 07 / 2017

Antes de ser mãe, dormir era, para mim, o maior dos prazeres, a pior das privações, o eterno mundo celestial onde se encontra Deus e os anjos.

A cama? Sagrada.

Chegava à cama e dormia. Se tivesse pouco sono, lia umas páginas. E depois dormia. 9 horas, sagradas, seguidas, e muito bem aproveitadas! Cheguei um dia a acordar e ter 56 chamadas não atendidas porque eu? Eu não acordava com nada.

Mas reza a lenda que eu não era assim em criança. Até mais que uma lenda, dizem no meu jardim de infância que demoravam mais tempo a adormecer-me que eu a dormir. Eu era assim uma espécie de desperdício de tempo de pré-sono...

Lembro-me também da minha avó se queixar do tempo que passava junto à minha cama. De joelhos - porque eu não gostava de estar sozinha - a inventar historias até ela própria adormecer.

Reza a lenda que fui assim muitos anos. Até chegar à fase onde me transformei nessa Bela adormecida em auto-gestão.

Mas como a vingança é um prato que se serve frio com sono, a minha filha veio para eu pagar o meu Karma: 30 a 45 minutos em média para adormecer. Pode ser mais. E claro, acompanhada.

Sei que, quando for adulta, será como eu e adormecerá em qualquer lado, para umas belas horas de sono ininterrupto.

Entretanto também eu poderei relembra-la de todas as noites que não dormi. De todas as vezes que me chateei porque meia horas depois já se devia ter lembrado de fazer xixi e porque ninguém quer saber se o raio dos livros estão a "dormir" de pé ou deitados 45 minutos depois de te deitar.

Ela não acreditará em mim. Mas não faz mal. Porque a vingança é um prato que se serve frio com sono. Tenho de esperar uma geração para ficarmos quites. Até lá é ignorar o sono.

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