Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2017

Finalmente desvendei o mistério da maternidade!

Crónica de 06 / 07 / 2017

Fui mãe há 3 anos e meio, mais dia menos dia, e confesso-vos que há 3 anos e meio, mais dia menos dia, que ando à nora.

Primeiro foi o passo de fechar a empresa e o receio do desemprego.

Depois foi a separação e o medo de não ser capaz sozinha de tomar conta de uma criança.

Passarm 3 anos e picos e continuo sem perceber o que me move na direcção onde está o medo. Há 3 anos e picos que não trabalho, há 2 que vivo sozinha com uma criança e se me perguntarem, continuo com medos, claro. Mas com a certeza que todo este tempo me movi na única direcção para onde algo dentro de mim me empurrava.

Houve alturas que não tinha como ir ao supermercado sem contar os trocos. Outras que abdiquei do que era supérfluo como pintar as raizes brancas do cabelo.

Na semana passada comprei um livro de um autor chamado Viktor Frankl de seu nome O homem em busca de um sentido.

O livro conta a história do autor, preso em Auschwitz durante muitos anos. A sua esposa grávida e os seus pais morreram. Ele não. O livro relata, além da sua indiscritível experiência, o que leva a alma humana a sobreviver nestas circunstancias.

O autor é psiquiatra e desenvolveu uma teoria de como ultrapassar o sofrimento, chamada Logoterapia.

E há uma passagem no livro, de entre muitas que nos parecem ligar à corrente e dar choques, que me ligou à corrente, mas à corrente da minha alma:

Terrível como efetivamente foi, a sua experiência em Auschwitz reforçou o que era já uma das suas ideias centrais: a vida não é...uma busca de prazer como pensava Freud, ou uma busca de poder, como ensinou Alfred Adler, mas sim uma busca de sentido. A mais importante tarefa de qualquer pessoa é descobrir sentido para a sua vida...(existem) 3 possíveis fontes de sentido: o trabalho (fazer algo significativo), o amor (cuidar de outra pessoa) e a coragem em tempos difíceis. O sofrimento...é destituído de sentido: conferimos sentido ao sofrimento pela maneira como lhe reagimos.

Eu descobri no amor pela minha filha o sentido da minha vida. E desde então não preciso de fazer sentido do resto.

Continuo com medos. Receios. Dúvidas e incertezas. Mas fez-se luz: sei agora porque me movo e o que me faz mover. Mesmo que não saiba para onde.

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