Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2017

Talvez eu seja apenas uma versão do Walter Mitty

Crónica de 10 / 07 / 2017

No outro dia uma amiga enviou-me este texto.

Sabem quando leem algo que faz tlim tlim tlim lá dentro? Voilá!

Não consegui não ir ler de imediato o texto original de A vida secreta de Walter Mitty. O conto tem também um filme e quis logo ler e ver e beber tudo.

De repente pensei: eu sou uma versão feminina e suga do Walter Mitty!

Sim, é assim que me sinto. De todos os namoros que não deram certo. Empregos que não me deram (ou não me deram pica). De tudo o que talvez já não tenha dinheiro, idade ou energia para viver.

Da vida que, vista de fora, talvez não tenha nada de especial.

Mas que, vista de dentro, tem tanta coisa a acontecer, tanta coisa que sinto, que me faz vibrar e acreditar que as emoções estão escondidas idm cada segundo do dia a dia.

Danço Nina Simone a lavar a loiça como se estivesse num concerto dela numa América distante.

Estendo roupa a pensar que lá fora está um pátio italiano onde alguém irá passar e elogiar o meu penteado do dia.

Vou fazer as compras do dia como quem vai cozinhar o jantar de aniversário da sua filha mais nova naquele dia.

Já vivi em muitos países, fiz muitos trabalhos diferentes e conheci muitas pessoas interessantes. Mas hoje em dia a minha vida passa por ser mãe, e ser dona de casa.

Tudo o que faço, toda a minha vida, é de uma simplicidade talvez altamente desinteressante. Mas, na minha cabeça, voam pássaros e tocam saxofones. Há abraços fortes e gargalhadas altas. E se um dia perguntassem talvez não houvesse muito a dizer. Excepto um inexplicável e gigante sorriso na minha cara.

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