Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2017

Inspiração para quem está (ou quer!) (re)começar

Crónica de 12 / 07 / 2017

Queixo-me muito da minha vida mas tenho de assumir que tenho uma vida maravilhosa.

A minha vida não é perfeita, longe disso. Mas o meu foco é em torná-la boa e não perfeita. O meu foco é procurar sempre a luz ao fundo do túnel, o copo meio cheio, e o final feliz.

E ontem, enquanto jantava em casa de amigos, depois de umas horas na praia com a minha filha, percebi que estou a fazer um bom trabalho em ter uma excelente vida, que nada tem de perfeito, mas tem muito de maravilhoso.

Nunca mais me esqueci de um autor com quem me cruzei na universidade, de seu nome Weinstein. Este senhor criou um conceito chamado unrealistic optimism onde veio a provar que as pessoas optimistas, mesmo que tenham previsões não realistas, são muito mais felizes que as pessoas que são pessimistas... mesmo que mais realistas.

A felicidade medida não ficava só por sorrisos e gargalhadas, não. Estas pessoas viviam mais anos, tinham menos doenças e mais amigos. E para mim estava tudo dito: eu sou e quero continuar a ser uma optimista irrealista.

O que vos quero dizer com isto é que muitas vezes nos esquecemos da razão porque mudámos (de emprego, casa, marido ou até de corte de cabelo!). É fácil esquecer-nos da força anímica que num dia nos disse Tu queres... tu mereces mais! e nos fez mover mundos para mudar.

Mudar é só o início. Não de tudo ficar bem. Mas de um caminho para que tudo fique melhor.

Para quem mudou e já se esqueceu porquê, e para quem quer mudar e não sabe por onde começar, ficam aqui umas palavras de inspiração:

1. Lembram-se do Wally? Sim, aquele de onde está o wally? Pois é, esse gajo estava sempre o quê? Rodeado de pessoas! Pimba! A vida pode ter mudado, talvez amigos tenham desaparecido, vivem numa zona nova, ou não têm dinheiro para sair. Lembrem-se sempre do Wally! Façam amigos com os vizinhos, cumprimentem a velhota do prédio da frente, ofereçam bolachas no natal aos vizinhos de baixo. Digam olá ao carteiro todos os dias. Conheçam pessoas. Falem com pessoas. Não se isolem. Lembrem-se sempre do Wally: não interessava onde o gajo estava, ele nunca estava sozinho.

2. Lamechice? Volume no máximo ! Há uma parte de nós que quer parecer inteira, que quer dar a ideia que está tudo sob controle. Não está, e disfarçar não ajuda. Leiam todos os livros pirosos de auto-ajuda, chorem com o dirty dancing as vezes todas que o comando da TV deixar sem vos fazer um manguito, ouçam aos altos berros a musica lamechas na rádio. Libertem-se de todas as emoções. Encontrem emoções novas. Chorem com o Se eu não gostar de mim quem gostará?!. Leiam Paulo Coelho. Oiçam Matias Damásio. Somos humanos porque temos emoções. Nunca recusem as vossas.

3. Até ao infinito e mais além! O Budlight tinha a certeza que voava. Independentemente de o fazer ao não. Deixem os detalhes do dia-a-dia, sonhem todos os dias, pensem diariamente no que gostavam mesmo de fazer, sem constrangimentos ou impedimentos. Onde é para vocês o infinito? E o mais além? Que a roupa ainda esteja ali na casa de banho para lavar é um detalhe pouco importante para quem deve estar focado no infinito ;)

4. Perfeita era a Barbie. Mas ficou a ganhar pó na prateleira. Queremos muitas vezes garantir que podemos fazer tudo como deve de ser. Especialmente se temos filhos... Deixem-se disso. O jantar no sofá ao sábado, as salsichas na praia, 1 dia sem tomar banho. Perfeita era a Barbie e nunca saiu da prateleira. Sejam flexíveis, acima de tudo convosco próprios. Porque é importante que os nossos filhos vejam que não somos máquinas. Somos só humanas. E é muito mais divertido ser um humano imperfeito do que estar a ganhar pó nas prateleiras :)

5. Penas têm as galinhas. Nós, mulheres, temos muita tendência a ter pena de nós. Coitadinha de mim, tenho e lavar e cozinhar. Coitadinha de mim, não tenho tempo de pintar as raizes do cabelo que já dão pelo joelho. Coitada. Tadinha. Que pena! Penas têm as galinhas. Façam um favor e nunca, jamais, tenham pena de vocês. A pena é uma capa que se veste e que nos impede os movimentos. Porque se é para voar não é a ser galinha :)

6. Memória de elefante e não de peixe de aquário. O peixe de aquário é aquele que, a cada volta no aquário se surpreende sempre com a mesma folha. É bom deixarmo-nos surpreender e não perder essa capacidade. Mas não nos podemos esquecer do que nos trouxe aqui, do que nos motivou a começar ou a querer mudar. Não nos podemos esquecer de quando ainda víamos com nitidez o filme da nossa vida e sabíamos exatamente o que nos fazia feliz. Lembrem-se e agarrem-se ao que foi o motor da mudança. E depois, mas só depois, aproveitem a viagem como um peixinho: sempre impressionados ;)

7. O rei vai nu. Há quanto tempo não fazem algo imprevisto? Algo espontâneo? Há 15 anos? 10? Nunca fizeram? Dançar à chuva? Dar um mergulho à noite? Correr todos nus pela casa? Achamos sempre que fazer algo imprevisto vai por os olhos dos outros em nós. E esquecemo-nos que os olhos dos outros só têm a visão deles. E, às vezes, passamos uma vida a tentar que sejam os olhos dos outros a dizer o que estamos a fazer. Não deixem. Se precisam de quebrar um ciclo, um padrão, façam algo inusitado, espontâneo. Se tudo o que pensas da história do rei vai nu é a opinião dos outros, volta lá acima e relê sobre o optimismo irrealista: se o que te preocupa é o que as pessoas pensaram do rei, anda nu em casa! Se tens medo de te constipar põe um cachecol ;)

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