Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
Todos os direitos reservados.
2017

Desse demónio chamado despertador

Crónica de 20 / 07 / 2017

Cá em casa não usamos despertador.

Não é que com uma criança seja, normalmente, preciso porque a sua preferência é mesmo para acordar àquelas horas que a maioria dos seres humanos prefere estar a dormir.

Ainda assim, há dias que a coisa resvala, outros que não, e daí que seja um tiro no escuro que assumir que chegamos sempre à mesma hora à escola ou onde quer que seja: eu não apostava nesse cavalo!

Há muita discussão à volta deste assunto, de como as crianças devem entrar na rotina, perceber as obrigações, saber o que acontece e quando, etc.

Mas deixem-me que vos diga o que, para mim, ultrapassa toda e qualquer teoria: a experiência.

E a experiência de filha, de madrasta, de irmã e, muito provavelmente, de mãe, me diz que a maioria dos anos de coabitação entre pais e filhos é feita de discussões matinais sempre à volta do mesmo tema: DESPACHA-TE!

Além de que sinto que devemos fazer limonada se a vida nos dá limões e se não aproveito para dar à minha filha a experiência de manhãs (quase!) calmas sem (quase nenhuns) gritos, e com (a possível) brincadeira, qualquer dia eu volto ao trabalho, ela entra na escola "a sério" e lá se vão os limões, a limonada e as manhãs onde, descansadas, vivemos à velocidade de um barco à vela pelas horas do dia.

Procuro assim que, quando chegarem esses anos, onde pautarão os amuos, os gritos, os atrasos, e os cabelos em pé lá pelas 8 da manhã, ela se lembre que é possível viver de outra maneira, a outra velocidade, que ela se lembre que eu sei não gritar DESPACHAAAAAA-TE! como primeira palavra do dia e que, tudo junto e somado, estes dias de velocidade cruzeiro matinal, sejam apenas o início de uma vida de mar calmo entre mãe e filha. E mesmo que ganhem pó no futuro ocupado, sejam como albums de fotografias que se guardam num baú, e que podemos sempre visitar para nos recordar do doce sabor da infância.

*(PS: vai-se lá saber porquê, a rapariga tem um medo que se pela do som do despertador então nos dias que temos de facto de o ligar, há choradeira com medo do mesmo... vai-se lá perceber a cabeça das crianças... a não ser talvez que saiam aos pais :p)

Mais Crónicas:

-->