Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2017

A morte aqui tão perto

Crónica de 03 / 08 / 2017

Vejo pouco notícias. Idealmente, nem as veria.

Não que não queira saber do mundo mas, acima de tudo, porque o mundo hoje em dia escolhe dizer apenas tudo o que se passa de errado, de mal e de inexplicavelmente mau com ele do que o contrário.

Na minha fuga entre as gotas da chuva, cruzei-me com um cancro cavalgante de um pai, e uma criança morta por um avião na praia.

A minha mente entre em freeze. Congela. Não consegue não julgar quem conduz um avião que aterra na areia de uma praia num simples dia de Agosto.

A vida é cheia de imprevisíveis e não há como não sentir injustiça de um cancro que se desaba numa pessoa saudável. Mas ainda menos se consegue aceitar, compreender ou normalizar a morte de uma criança na praia por uma avioneta.

Imagino toda e qualquer mae a sentir um aperto horrível. Medonho. Da realidade que é um dia a vida poder tirar-nos um filho.

Pensamos que ainda bem que não éramos nós. Pensamos no que poderá correr agora no coração daquela mãe. Pensamos em tudo o que podemos fazer para tentar que a vida nunca nos pregue essa partida. E rezamos, muito, para que ela nunca o queira fazer porque a vida nos mostra que mandamos muito pouco nela.

Tudo na morte fala sobre a vida. Dizem os livros. E penso que é isso que temos que nos lembrar sempre.

Da morte. Pela vida.
Da saudade. Pelo amor.
Do abraço. Pelo perdão.

E naquilo que é o mais inexplicável, a doença ou a morte de uma criança, quebra possamos encontrar todos aquilo que é mais invencível: a força de nunca baixar os braços. Seja para lutar. Seja para abraçar os nossos.

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