Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2017

Aí se isto fosse no meu tempo!

Crónica de 08 / 08 / 2017

Atiram-se para o chão.
Choram.
Berram.
Querem Ipad.
Não querem comer.
Querem gelados.
Sopa no chão.
Casa de pernas para o ar.
Mães de cabelos em pé.

Aí se isto fosse no meu tempo!

Parecem as vozes dizer sobre o que parece ser a primeira criança birrenta à face da terra.

Culpamo-nos. Ralhamos. Parece que podíamos sempre fazer melhor não é? Parece que a paciência está sempre no limite e os filhos estão, propositadamente a levar-nos ao limite com aquela que é, temos nós a certeza, a maior birra deste mundo e arredores?

Ser mãe é navegar no oceano da culpa, já sabemos. É porque sim e porque não. É por tudo e é por nada.

Mas, tal qual lia num livro esta semana, a verdade é que a vida continua, igual a si própria, com ou sem o peso emocional que atribuímos aos acontecimentos da nossa vida. Onde se incluem, certamente, as birras.

E, a verdade, é que parecemos achar que todas as outras crianças são perfeitas. Até porque nós, certamente, o fomos! Ou não?

A infância é, por excelência, a idade das birras. Fizemos nós, fizeram os nossos pais, fizeram os nossos avós, tios e primos da vizinha. E a vizinha também.

Uma criança que tenha passado a infância sem qualquer travessura, raspanete gigante, asneirada da grossa ou mesmo sem ouvir gritar dez decibéis acima do necessário, foi uma criança que não viveu plenamente a infância.

Que nós nos esqueçamos que já fomos nós a encher a cabeça aos nossos pais e nos pareça que ficaram guardadas para nós as maiores birras deste universo e arredores é, tal qual dizia o livro, apenas o peso emocional que nós atribuímos aos acontecimentos.

Que traduzido em miúdos significa aguenta e não chora :p

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