Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2017

Crianças na internet, Macaulay Culkin e Mark Zuckerberg.

Crónica de 09 / 08 / 2017

Macaulay Culkin, o famoso ator de Sozinho em casa, processou os próprios pais uns anos depois do filme: é que os pais assumiram que o dinheiro que ele ganhava a trabalhar era dos pais e a criança discordou. A então criança ganhou.

Passamos a vida a achar que, porque os nossos filhos são menores, temos o direito de decidir tudo sobre a sua vida porque temos a certeza que temos sempre o seu interesse acima de tudo. Mas esta história prova que isso não é verdade: as crianças têm uma voz.

Sendo eu uma jovem rapariga e mãe com um blog, podia dizer-se que me vou contradizer (e verdade seja dita já escrevi aqui o contrário do que vou escrever agora). Mas como li ontem algures, não temos obrigação de ser a mesma pessoa de há um ano, há uma semana, ou sequer há uma hora atrás: todos temos o direito de crescer.

O que venho partilhar convosco é que cada vez mais me impressiona o número de fotos e vídeos de crianças que os pais decidem colocar na internet. Não porque têm a certeza que é o melhor para a criança. Mas porque eles, pais, querem estar presentes no mundo digital.

Entre o facebook, o instagram, os blogs, e as insta stories, é possível perceber que as fotos de crianças garantem milhares de views e seguidores.

Claro que todos os pais são vaidosos dos seus filhos e, gostamos de partilhar com o mundo a sensação arrebatadora que temos em ser pais daquelas crianças.

Mas será que em algum momento nos perguntamos se os nossos filhos querem aquilo para eles? Que propósito serve colocar 500 fotos por dia dos nossos filhos na internet? É aos nossos filhos? Não acredito.

E, por isso, cada vez coloco menos fotos da minha filha aqui. Vou colocando, sim, porque não sou rapariga de 8 nem 80. Mas cada vez penso mais que, tal como o Macaulay Culkin, as crianças que têm a sua vida totalmente exposta na internet podem um dia dizer que essa não foi a sua escolha. E que, mesmo menores têm direito a discordar dos pais.

Li, ontem, aqui, que uma criança com 5 anos já tem, em média, 1.500 fotos suas na internet, tendência já chamada de sharenting (share + parenting).

Se bem que é verdade que cada um sabe de si, a pergunta que deixo no ar é: quando vamos deixar que as crianças também o façam. Porque, na verdade, podem gostar tanto de estar na internet como gostam de peixe cozido. Pode ser que haja quem goste. Mas também pode haver quem não goste.

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