Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2017

O mito dos divórcios amigáveis

Crónica de 29 / 08 / 2017

Confesso-vos: também eu já fui vítima. Vítima de querer ser, e achar que podia ser, daquelas pessoas que se separam e ficam super amigas e é tudo super fácil e, vai-se a ver, a nova namorada do pai passa o natal a rir com o novo namorado da mãe e toda aquela cena parece saída de um filme de Hollywood, com música e camisolas tricotadas a acompanhar, claro está.

As separações são uma merda. Especialmente, como dizia a minha avó, se existem filhos porque se não ninguém quer saber.

Há um culto moderno de defender, publicamente pelo menos já que as pessoas parecem achar que parecer é ser, que isto é tudo muito facil, muito fixe e até para totós não acabarem todos a beber cocktails com palhinhas com ananáses nas suas férias do verão que partilham com antigos e novos coabitantes da cama e do sexo (se houver porque vai-se a ver e prometeu-se o que não se tinha para dar).

Meus amores: tudo mentira.

Que a malta não tenha acabado à batatada com a polícia a subir ao segundo andar sem elevador para separar o casal, ao aviso da vizinhança, não diz muito sobre o casal. Apenas que os paizinhos fizeram a sua parte minimamente bem feita.

A malta separar-se sem ter cem palavrões para descrever o outro antes do nome próprio, não é conquista, são mínimos olímpicos.

Agora sugerir que uma separação que nasce sempre de diferenças profundas ou, pelo menos, irreconciliáveis, diferenças que não se tendem a esbater, muito pelo contrário, tendem a acentuar, conforme a vida leva cada um para seu lado, é equiparável a um filme de pipocas, está tão próximo da realidade como as publicidades de emagrecimento rápido e eficaz no início do verão estão de ser capazes de garantir que a malta acaba o verão qual Sara Sampaio.

Uma separação é um fim não previsto. De uma investida à partida para durar. É sempre uma sensação de falha. Nem que seja de casting. Mas muito provavelmente de mais. Podendo sempre passar por uma sensação de falha da vida: a vida falhou-nos em sermos feliz ali, onde temos de pousar para sempre quando nasceram filhos de um momento que, em algum momento, pareceu que ia durar para sempre.

É possível que dois pais separados possam voltar a partilhar uma assoalhada durante 2 a 5 horas? Sim.

Que em nome dos filhos engulam sapos, crocodilos e até baleias brancas prenhas de gémios obesos? Também.

Mas daí a dizer que tudo pode ser qual Heidi a percorrer os verdes prados vai uma distância. A mesma distância que vai de um mito à realidade.

É que, já como dizia a minha tia médica, na prática, a teoria é outra.

Mas lá que a malta se esforça, a malta esforça-se. Até porque depois de engolir uma baleia branca prenha de gémeos obesos tudo é peanuts. Já sem casca e tudo ;)

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