Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2017

O mito da entrada na creche

Crónica de 30 / 08 / 2017

Já que andamos numa de mitos, vou-me atirar a um polémico, mas sempre enternecedor: a entrada de uma criança para a escola.

Verdade seja dita, enquanto os dados estatísticos falam de uma diminuição da taxa de natalidade, a verdade é que basta falar sobre o início da escola, a entrada na creche, ou o princípio desta vida itinerante e possivelmente errante (leia-se a vida fora das saias da mãe) que não há como não derreter uma estátua romana, um barbudo enrijecido, uma mulher grávida ou mãe de uma criança que ainda não vai à escola ou mesmo, milhares de leitores das redes sociais.

Corações pequenos e apertados. Medos, receios e ansiedades. As mães, mais precisamente grávidas ou mães de crianças que ainda não vai à escola, ficam nesta altura à beira de um ataque de nervos pela fase que aí vem: a fase onde deixamos de ser mães a tempo inteiro, o que nos obriga a olhar para onde não queriam olhar há muito: para dentro de nós. Ou pior: obriga o mundo a olhar para o trabalho que fizemos com a pequena criança até ali.

Esta crónica é curta e só pretende desmascarar o mito, não as (nossas) emoções maternais, não se apoquentem. Que é importante manter algum clima de mistério quanto ao que se passa na cabeça de uma mulher. Até para parecer que nós sabemos o que se passa na nossa cabeça.

Esta crónica só pretende desmistificar a entrada de um filho na escola e dizer-vos para não se preocuparem, porque só custa mesmo o primeiro ano. Na melhor das hipóteses, dura uma semana ou nem isso. Porque daí para frente, o segundo, terceiro e todos os anos que se lhe seguirem, são anos que somos nós que já não vemos a hora das aulas começarem.

É que não há melhor desculpa para uma mãe que deixar um filho na escola. Não é o mesmo que os deixar na avó para ir para um cruzeiro ou com uma babysitter para ir para sair à noite. Não.

Deixá-los na escola é deixa-los no sítio onde as crianças devem estar. E a mãe pode ficar um bocado sozinha, sem qualquer remorso ou julgamento social. E sem ninguém a chamar 168 vezes por hora. E sem alguém a desarrumar todos os tupperwares da cozinha, incluindo aqueles que não víamos desde 1980.

Porque o amor de mãe é mágico. Mas, às vezes, melhor que ele só mesmo as saudades de mãe. Que nos fazem esquecer, sempre, que a verdadeira magia fazem os putos: ao desarrumar em 5 minutos o que demorámos 3 horas a arrumar.

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