Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2017

E que tal foi a primeira noite sem ela?

Crónica de 02 / 09 / 2017

Nem me vou por com tretas: foi óptima.

Para começar, não foi nada do que queria.

Eu queria, e sempre quis, que tivesse sido em Lisboa, perto de casa, no sítio que ela está já habituada a frequentar e até a dormir a sesta.

Na minha cabeça, eu iria sair à noite, se não para dançar certamente para jantar. Arranjada. Bem vestida. Quem sabe até de altos altos.

Não pensaria em horas de jantar e horas de descongelar o jantar a tempo. Nem em horas de dormir, muito menos de acalmar.

Na minha cabeça era uma noite em que eu faria o que me desse na gana para pensar pouco no facto dela não estar comigo.

Mas, verdade seja dita, bendita realidade que nos surpreende sempre para além das nossas melhores expectativas: aconteceu quando eu estava sozinha e longe de casa.

Claro que estamos a falar de agosto e, por isso, nada como varrer a lista telefónica dos amigos e alguém havia de estar num raio nem que fosse de 50, vá 100 km. Porque estavam. Mas a questão não era essa.

A questão é que eu sabia que para fazer algo realmente único eu teria de ficar sozinha. Sozinha com as minhas bom emoções. E aceitar todas elas, as boas e as más. E foi o que fiz.

Verdade seja dita eu não deixo de ver as minhas amigas porque tenho uma filha. Vejo-as no horário da minha filha, vejo-as à tarde e antes das 10 da noite. Algo impossível de fazer quando vives com uma criança? Estar sozinha.

E foi isso que escolhi fazer. Escrever. Ler. Chorar, se me apetecesse. Comer na cama. Comer porcaria fora de horas. Ouvir música alta. A minha música. Sem merdas pedagógicas ou secas infantis. Pensar. E conseguir ouvir os meus pensamentos. E segui-los até ao fim. Dormir às horas que queria. Falar ao telefone com quem me apetecia.

Ao estar sem ela escolhi estar com alguém ainda assim muito especial: comigo. E sabem que mais? Que bem que me soube ;)

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