Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
Todos os direitos reservados.
2017

Dos dias sem ela. E das noites também.

Crónica de 12 / 09 / 2017

Ela partiu sábado de manhã.

E eu, inicialmente cheia de planos e vontades, comecei lentamente a morrer no sofá, a pensar que podia ver filmes e ler, e pensar na vida e... ganhar mofo basicamente.

Liga-me uma amiga e diz: veste-te e sai de casa. JÀ. A amizade serve, entre outras coisas, exactamente para isto: por-nos na ordem!

Fomos almoçar a Lisboa. Ainda não aterraste...* diz-me ela. Pois não. Não sais de um estado de permanente alerta, horários e obrigações para simplesmente relaxar ao sol num abrir e fechar de olhos. Mas estava decidida a tentar.

E estava sol. E fomos almoçando. Depois começámos a andar a pé. Visitar restaurantes novos antigos, bares, enquanto caminhávamos pela cidade, e eu dizia às pessoas que era a primeira vez que saia desde que fui mãe e tirava fotos para mandar à Clara. Fotografei como uma turista, conversei com americanos sobre economia, passei perto do MEU antigo escritório e lembrei-me de como não tenho saudades de ter a MINHA empresa, continuamos a andar, bebemos um cocktail, e voltei a dizer a toda a gente que era a primeira vez que saia desde que fui mãe, enquanto tirava mais fotos para enviar à Clara, até que fomos jantar, e esperámos para jantar, e eu já ria às gargalhadas, enquanto repetia às pessoas que era a primeira vez que saia desde que fui mãe, não o disse quando fomos dançar, aí esteve apenas aos saltos, até que voltámos a caminhar, e eu acabei por chegar a casa.

Tive que descolar os ténis dos pés tais eram as feridas que tinha feito :) mas a alma conseguiu aproveitar estas horas sem horas, esta noite tardia, seguida de um enorme dia, estas caminhadas sem birras, estas refeições fora de horas, estas gargalhadas deselegantes e inapropriadas para uma mãe.

Mas o melhor ainda estava para vir: recebe-la no dia a seguir. Abraça-la. E perceber que eu sou, acima de tudo, mãe. É ser mãe que me faz feliz. É ser mãe que fez faz ter os pés no chão. Mesmo que de vez em quando os leve a dançar, é no tédio da vida de uma mãe que tenho os pés no chão. Mas o coração a flutuar <3

Mais Crónicas:

-->