Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2017

Odeio cabelos brancos.

Crónica de 21 / 09 / 2017

Odeio cabelos brancos. Mas estou cheia deles. Mas assim cheia, cheia, cheeeeeia!

Não os odeio por serem feios (apesar de não serem exactamente bonitos...), nem os odeio por me fazerem parecer mais velha (para isso estão cá as rugas).

Odeio-os porque me lembram tudo o que já vivi. E odeio-os porque me lembram tudo o que ainda não vivi.

Os meus cabelos brancos lembram-se todos as vezes que sofri por amor e todas as vezes que fiz alguém sofrer, todas as vezes que me senti perdida e todas as vezes que achei que me encontrei, lembram-me todas as vezes que tive a certeza que estava no caminho certo, e todas as vezes que tive a certeza que estava no caminho errado.

Os meus cabelos brancos lembram-me todos os sonhos que perdi. E todas as vezes que me reergui do chão para começar de novo. Lembram-me todas as vezes que falhei, que chorei, e que decidi começar de novo, com um sorriso na cara.

Os meus cabelos brancos lembram-me que, por vezes, me sinto cansada de tentar, cansada de não estar onde gostava, cansada de limpar as lágrimas e começar de novo, namoros, casas, empregos.

E o que acontece quando pinto o cabelo? Quando pinto o cabelo volto a ter 18 anos. E a acreditar que tudo é possível.

Quando me olho no espelho e não vejo cabelos brancos volto a acreditar que vou a tempo de querer tudo. E de ter tudo. Que posso ir atrás de tudo. E conseguir tudo. Volto a ter a fé de uma jovem. A energia de uma criança. A memória de uma velhota. Na capacidade de uma mulher adulta.

Não, não me preocupa parecer velha. Preocupa-me apenas perder a energia de uma jovem. Então prefiro esquecer tudo o que está para trás. E olhar ao espelho e acreditar que o tudo está mesmo é à minha frente.

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