Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2017

Não és mãe quando estás grávida.

Crónica de 27 / 09 / 2017

Não é quando sabes que estás grávida que te tornas mãe, não.

Não, não é quando o mundo cor-de-rosa da maternidade sorri para ti, e tudo o que sempre sonhaste está ali, à mão de ser tocado, sentido e cheirado, uma maternidade perfeita e digna de livros de romance das maiores fabulas mundiais.

Não, não é quando compramos a mobília, a roupa minima, e escolhemos a cor perfeita para pintar o quarto.

A maternidade não chega quando temos o cabelo forte das hormonas que nos correm no corpo, as unhas lindas, a pele brilhante e uma barriga que tresanda a sonhos realizados, a contos de fada reais e a fonte de amor transbordante.

A maternidade chega-te mais tarde. Nos primeiros sustos. Nas primeiras febres. Nas primeiras idas às urgências. Nas primeiras certezas que aceitavas todas as dores dos teus filhos para que eles não as sentissem. Nas primeiras vezes que ficas com o coração minúsculo com medo de um diagnostico, mas com a força de um super herói para aguentar com a logística de uma vida de mãe.

É nas madrugadas das urgências, nas noites acordadas a medir a febre, na marcação de consultas da especialidades assustadoras, na ansiedade à espera de um numero no termómetro, no colo a uma criança que acabou de vomitar, que sentes que o teu conto de fadas ruiu.

Ser mãe não é um conto de fadas. Tal qual amar não é passear toda a vida de mão dada.

Ser mãe é muito maior que isso. Ser mãe é toda a literatura do mundo num só livro. Os bons e os maus. A poesia e a narrativa. Os dramas e os romances.

Ser mãe é a literatura. Não só um livro. E ainda bem. Pois quem quereria ler apenas um livro quando pode ler todos? :)

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