Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2017

A eterna procura pela mãe perfeita.

Crónica de 12 / 10 / 2017

Como "blogger das questões da maternidade", costumo passar os olhos no que se escreve e diz na internet sobre a questão.

Quem já me conhece um pouco, sabe que há algo que não faço: não participo em fóruns. Nem em grupos. Ou em nada que junte pessoas à volta deste tema: a maternidade.

No início ainda o fiz: dúvidas de amamentação, co-sleeping, alimentação infantil ou outras semelhantes. Mas só o fiz até um dia: o dia em que fui atacada por alguém dizendo que eu era radical no que toca a ser contra o co-sleeping. Eu que durmo com a minha filha...

Nesse dia percebi que a internet junta a pior das milícias populares (mulheres!) ao pior dos temas sociais (a maternidade!). Porque a qualquer momento alguém desata a atacar alguém porque tem a certeza que o que aquela pessoa - que não conhece de lado nenhum - está a fazer tudo errado.

Esta semana voltei a passar os olhos num desses fóruns. E lá estava. Outra vez. O eterno julgamento. A eterna ideia de que umas fazem melhor que outras.

O tema era a bendita palmada. Atenção que não vou defender dar ou não dar. Vou apenas defender que não consigo perceber porque raio a nossa geração parece achar que a humanidade fez tudo mal até aqui. E agora chegamos nós, a geração que descobriu a pólvora. Ou pelo menos a pólvora da maternidade.

Também não vou dizer que se deve ou pode gritar. Mas vou dizer que todos nós temos dias menos bons, que o desprezo pode ser pior que um grito, e que quem nunca ouviu um grito dos pais e ainda assim os ama que atire a primeira pedra. Ou então faça ainda melhor: cale-se para sempre.

Não vou dizer nada com que me possam atacar. Porque para isso basta quererem.

Vou apenas dizer isto: todas nós somos perfeitas. E todas nós falhamos. Todas somos mães. E todas somos humanas. Todos temos dias. Bons e maus.

E diria que nos preocuparmos tanto com a vida dos outros é eventualmente dispensável. É que a humanidade, que se aponta ter qualquer coisa como um milhão e meio de anos, conseguiu chegar até aqui mesmo com tanta imperfeição. O que me leva a crer que não será uma mera mãe que até faz o melhor que sabe pelo seu filho que a vá fazer ficar por aqui. Digo eu.

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