Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2018

Querem mesmo saber o que eu levava na mala se pudesse?

Crónica de 18 / 10 / 2017

Aquela coisa que eu levar na mala, se pudesse, se fosse possível, se conseguisse ainda que deixando em terra outras coisas, era a minha casa. Sim, eu levava a minha casa.

Sai de casa da minha mãe aos 18 anos para ir estudar fora do país. Até lá, tinha mudado de casa 5 vezes. Até hoje mudei mais umas 10.

Se tenho um cantinho onde ficar? Sim, claro que tenho. Tenho uma familia pequena ainda assim próxima e super minha amiga. Mas um cantinho não faz uma casa.

O facto de ter saído de casa cedo e ter mudado tantas vezes de casa fez com que eu me tornasse a minha própria casa. Eu tornei-me aquela pessoa que cria o seu próprio espaço de segurança. E mesmo passados mais de 20 anos, não consigo que o espaço na casa dos outros seja a minha casa. A minha casa, como o caracol, é algo que carrego comigo.

Mas nem vale a pena sofrer muito: as casas não cabem nas malas.

E então, entre malas, consultas, compras, despedidas, caixotes, contratos, vistos e passagens, o meu maior sofrimento é deixar a minha casa cá. E arranjar uma lá.

Não preciso dos tarecos. Dos bibelots que deixei de ter depois de mudar tanto de casa. Muito menos dos móveis ou lençóis que não valorizo. Preciso das paredes. tecto. janelas.

E, neste momento, não tenho casa lá e estou a deixar de me sentir em casa aqui. Neste momento estou-me a sentir uma espécie de um caracol bipolar, com duas casas mas que anda nu.

Já dizia o outro, cada um com a sua maluquice não é? Eu aceito assumir a minha maluquice. Em troca de uma casa. Pode ser? Alguém alinha? :)

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