Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2017

Olá Karma, podemos ter uma conversinha?

Crónica de 20 / 10 / 2017

Acho que já falei algumas vezes de como eu, ao contrário de muitas pessoas, pareço atrair um karma que me obriga a aceitar, permanentemente, a mutação.

Sabem aquelas pessoas que sabem o que querem ser quando crescerem? estudam nessa area? arranjam emprego nessa área? têm um namorado ou dois, viajam, depois casam e têm filhos? poupam para a mobília? um carro maior para o segundo filho? não engordam porque comem moderadamente e acordam mais cedo para ir ao ginásio antes de levar os filhos à escola?

Não? Eu também não!

Quer seja eu a forçar as mudanças, quer seja a vida a empurrar-me para não me esquecer que nada é feito para durar para sempre, a minha vida é feita de uma sucessão de alterações, movimentos e mudanças que me faz assim uma espécie de guru em como não aquecer o rabo em lado nenhum.

Já disse n vezes que estou há quase 4 anos sem trabalhar. Primeiro foi fantástico acompanhar a minha filha. Mas de há 2 anos para cá que se impõe pagar contas. Triliões de CV enviados sem resposta. Biliões de pedidos de patrocínio ao blog. Centenas de emails com marcas.

Nah.... O karma de guro do gluteo a mexer tinha planos para mim: planos de me obrigar a levantar acampamento outra vez. E a seguir caminho, desta feita com a minha miúda.

A emigração começou a desenhar-se em Junho: há falta de qualquer proposta até Agosto, eu partiria. E Agosto chegou. E depois Setembro. Outubro já cá canta e não tarda estamos em Novembro.

As propostas que tinha pendentes de Portugal? Sem resposta.
Já me deram todos os documentos que preciso para viajar? Quase...
Já fiz as malas? Não.
Tenho casa lá? Não.
Sei o que vou fazer à minha casa aqui? Não.
Tenho me esforçado para tratar de tudo? Sim.
Consigo? Não.

Não. Pois não. O karma tem planos para mim. Esse sacana. Que parece achar que eu ainda não estou 100% de que tudo é mutável. Que eu ainda não percebi claramente que a vida continua na ausência de certezas. E que a minha sanidade mental sobreviverá ao caminho às cegas que estou a fazer na mudança de casa, de país, de trabalho e de escola. Peanuts não é?

Pois é meu querido karma, gostava de ter uma conversa privada contigo ali no canto. Ignora que me dirijo para lá com luvas de boxe, por favor.

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