Crónicas das Maternidade

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Autoria de Patrícia Costa
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2017

As várias fases da vida de uma mulher (impulsiva)

Crónica de 24 / 10 / 2017

Talvez sejamos todas, talvez não.

Não sou das piores, mas sou das mais "inteiramente impulsivas": sou uma mulher extremante impulsiva onde sê-lo não significa dizer tudo o que penso (isso confesso que acho que é feito apenas para atingir os outros e não por necessidade de acção). Eu sou daquelas impulsivas que não precisa (sempre) de dizer tudo o que pensa ou sente. Mas precisa de agir em conformidade com o que acredita. E às vezes no que acredito é que tenho de dizer o que penso ;)

Eis as várias fases da vida de uma mulher (impulsiva):

  1. És impulsiva mas não sabes o que isso é. Sabes apenas que tudo parece acontecer em volume máximo.

  2. És impulsiva e sabes o que isso é. Tentas não ser para te poderes mesclar melhor na sociedade.

  3. És impulsiva e sabes o que isso é. Achas que as pessoas te têm de aceitar como és e acabas por ser bruta como as portas.

  4. És impulsiva e sabes o que isso é. Começas a tentar lidar com esse vulcão porque já te chamuscaste uma e outra vez.

  5. És impulsiva mas gostavas de não o ser. Pesquisas uma série de merdas que têm pouco a ver com o teu temperamento como meditação, paz interior e pilates a ver se dás conta do bicho.

  6. És impulsiva mas já disfarças bem. O teu tom de voz é quase politicamente correcto. Já consegues medir as tuas palavras. E só quem te observa de perto é que sabe que comes mais do que precisas, dormes menos do que devias, e se alguém te interessar, não descansas enquanto não o demonstrares.

  7. És impulsiva mas já disfarças bem. Mas começas a estar-te um bocado a cagar para disfarçar tanto. É que acabas por levar tanto na tola como antes... e agora ainda ficas calada para não magoar ninguém.

  8. Começas a duvidar se és verdadeiramente impulsiva, talvez tenha sido uma coisa da idade. É que entretanto foste mãe.

  9. Foste mãe. E separaste-te. Que vê na sua filha toda a mesma impaciência. Voz elevada. Brincadeiras sem limite.

  10. Nem sabes bem o que és porque estás em tilt a tentar pensar como vais gerir o facto de ser mãe e impulsiva. Com uma filha igualmente impulsiva.

  11. Tentas ao máximo não ser impulsiva na esperança que assim a tua filha seja mais calma que tu. Como ainda continuas mãe e solteira, não é muito fácil e de vez em quando mais pareces uma panela de pressão. A apitar por todos os lados, pois está claro. Menos com a miúda. Com a miúda tentas manter a aparência da calma angelical.

  12. A vida dá-te tantas voltas que o tempo que tinhas para reflectir sobre a impulsividade está adjudicado a outras efemérides. E portanto és uma espécie de monstro da Tasmânia. Disfarçado de mãe que faz bolos vestida de avental.

  13. Vais ao cabeleireiro e ao ginásio. É que ser um monstro da Tasmânia ainda vá que não vá. Ser um monstro da Tasmânia de raizes e celulite é que não.

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