Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2017

O amor de mãe não é piroso. É bad ass.

Crónica de 31 / 10 / 2017

Nada como seguir (ou ter!) um blog de maternidade para saber que o amor de mãe é aquela coisa pirosa à brava, onde o mulherio se emociona com coisas tão básicas como uma criatura aprender a dizer uma palavra de duas silabas iguais entre si (MA - MÃ) ou essa mesma criatura aprender a defecar naquele sitio onde viu toda a gente defecar toda a sua vida: a saniiiitaaaa!

Fui durante dois anos essa mãe. Abismada com o amor que saia de mim perante qualquer parvoíce e com a fonte infinita de paciência perante, um chão cheio de grãos de arroz. Pisados. Tipo puré. A fazer pandã com os atirados à parede.

Depois passou-me e acho que de há quase 2 anos a esta data voltei a tentar ser assim uma tipa normal, do género que até já fala dos problemas do mundo e já inventa planos altamente elaborados só para não mais uma porcaria de uma série qualquer do canal panda.

Mas como esta cena da maternidade é assim uma espécie de cartola de mágico, de onde estão sempre a sair coisas novas que ninguém imaginava lá caber, dei por mim recentemente, a perceber que esta cena do amor de mãe não tem nada de piroso. Pelo contrário. É das coisas mais verdadeiras, intensas e puras que existe no mundo. Especialmente agora que já não tens a casa impregnada a cocó de bebé (por amor da santa como é que um bebé faz cocó que cheira a cena podre, depois de 10 dias ao sol com moscas à volta??!)

Ontem foi um dia absolutamente normal cá em casa: escola, casa, tomar banho, fazer jantar. Mas esta pequena criatura (neste caso eu, não a outra) conseguiu transformar o mais banal dos dias no mais especial deles. E não há nada de piroso nisso. Pelo contrário: transformar algo banal em algo especial é bad ass.

Fizemos bolos juntas. Cortamos os legumes da sopa juntas. E ela colocou-os na panela. Escolhemos o pijama a condizer com o filme que íamos ver, o Gru. Comemos pizza com as mãos porque ninguém estava a ver. Dançámos. Pesquisamos a maquilhagem que íamos fazer hoje para o halloween. Sentámos no sofá. Eram 20.30.

**Se um dia me dissessem que às 20.30, de um 2ª feira, teria feito tanta actividade doméstica, com um sorriso na cara, em dar pelo tempo passar, ou pelo tédio das actividades em si, eu diria que era mentira.

Mas ser mãe é muito bad ass. O amor de mãe é mesmo isto: o transformar o banal em especial. O normal em fantástico. O rotineiro em extraordinário. O dia comum num dia invulgar. E uma vida simples numa vida cheia. Cheia daquele amor muito bad ass. Porque para fazer números extraordinários de magia, existe o Copperfield. Agora para transformar em magia a normalidade do dia-a-dia, só existe uma mãe ;)

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