Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2017

48 horas. Que podiam ser 48 dias.

Crónica de 14 / 11 / 2017

Estamos cá quase há 48 horas. Que mais parecem 48 dias.

A Clara viajou doente e a viagem, que são 11 horas de noite que davam uma bela de uma soneca, foram apenas mais 11 horas de ansiedade.

Chegámos cá, era de manhã.

Ainda não chegou o verão mas em África não é preciso: o calor e a humidade que abundam todo o ano fazem qualquer europeu derreter facilmente.

5 malas para desfazer. E uma criança que apesar de não ter dormido não estava para aí virada: a casa nova vinha com um apelo inigualável: uma vida nova, e uma varanda com baloiço :)

Pensar no trabalho novo. Informar que chegamos bem. Decorar rapidamente os quartos. Responder às perguntas de uma criança cheia delas.

O sol aqui nasce antes das 5 da manhã. E esta familia cansada não dormiu antes da meia noite (antes de chamarem a segurança social, é o equivalente às 10 da noite aí) e antes das 8 da manhã (agora sim, de cá) já estava um mini ser a pé a pedir para ir brincar na rua.

Estas segundas 24 horas foram de visita à escola, ao supermercado, de lanchar à beira-mar e de voltar a escrever aqui :)

Acho que se não escrevesse agora não escrevia mais: a quantidade de sentimentos e emoções que já tive davam uma vida que faria eu não me lembrar mais que a antiga foi há tão pouco tempo se eu não parar para o fazer.

Mas em 48 horas já tive 48 vezes medo de ter tomado a decisão errada de estar aqui. 48 vezes a certeza que o medo vem de dar um passo em frente e não do que aqui tenho. 48 vezes vontade de acelerar o relógio do tempo até me sentir em casa. 48 vezes vontade de parar o tempo para saborear esta sensação única, de começar uma vida nova.

Portanto quando, exausta e com olheiras até ao joelho, tive vontade de escrever pensei: é melhor escrever já antes que mude, 48 vezes, de ideia.

Um pouco destas 48 horas. Que parecem 48 dias:

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