Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2017

B-A-Bá da vida nova: a escola nova

Crónica de 15 / 11 / 2017

A escola nova era dos passos que mais receava neste processo: não só é parte integrante da rotina de uma criança, como eu vinha muito mal habituada pois a Clara andava numa escola que ambas adorávamos.

Uma amiga que viveu cá falou-me de uma escola nova. Espreitei. Gostei mas acima de tudo fiz algo que me é muito característico: confiei! <3

Ainda há pouco comentava com alguém que me disse que eu tinha coragem que eu achava que o que tinha mais era mesmo alguma loucura e confesso-vos que parte é mesmo isso: se o coração me diz que sim, eu nunca desconfio.

Acredito mesmo que se seguirmos o coração as coisas nunca correm mal e que devemos parar pouco tempo a desconfiar dos nossos instintos.

Consegui uma casa a 5 minutos a pé da escola nova, por isso tudo apontava para o processo estar alinhado para correr bem.

Ontem fomos fazer a primeira visita e eu sentia a ansiedade da Clara: como se chamam as minhas professoras? vou dormir lá? onde estão os meus amigos?

Sai de lá angustiada: tudo era diferente. Só que é preciso que ela rapidamente sinta tudo como igual.

Hoje voltámos para começar a adaptação: havia natação de manhã, na piscina que a escola tem cá fora. Têm 2 vezes por semana. Sacana! pensei eu. Já te estás a safar bem melhor que eu!

Tem ioga também duas vezes por semana. E música. E um jardim exterior enorme.

Almoçam numa sala que podia ser a minha casa: pessoal, familiar e aconchegante. E tem vários amiguinhos novos, dos quais gravei o zé malandro de tão cómico que o puto era.

Reza a lenda que Deus escreve certo por linhas tortas. Não sei se é Deus - porque esse gostava que estivesse dedicado a problemas maiores deste mundo - mas há de facto algo maravilhoso quando confiamos: neste caso, uma escola que oferece exactamente aquilo que eu acredito que as crianças mais precisam: de estar na rua.

A Clara tem duas educadoras, uma que só fala português e a outra que só fala ingles. Tem amigos de todas as cores e de todas as nacionalidades. Mas tem acima de tudo algo único: a capacidade de adaptação de uma criança.

E eu, que quando fui viver para Londres aos 17 anos fui chamada de não branca por ser de Portugal, sei que além de tudo o mais, ela vai aprender algo que a enriquecerá para sempre: saber que somos todos iguais e todos diferentes. Saber respeitar o próximo, independentemente da sua cor, origem ou género. E saber que, no mundo das pessoas que têm fé na humanidade, só olhamos à cor do sangue que corre no coração de cada um.

Agora digam lá que a catraia não se safou bem: :p

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