Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2017

Informalidade e humanidade.

Crónica de 21 / 11 / 2017

Quando vivia em Londres no final dos anos 90, prometi a mim mesma que dali só para sul.

A verdade é que só descansei em 2007, a viver na Cidade do Cabo. E a partir daí talvez me tenha perdido um pouco pois até já havia pinguins pelo que mais a sul iria contra o que eu procurava: sol.

Ainda esta semana li um artigo sobre um pedido de desculpas feito pelos transportes públicos japoneses por um autocarro ter chegado 2 minutos antes do tempo. E como este é o reflexo de uma sociedade organizada.

Não nego. Lembro-me de em Londres ser sempre atendida a tempo mas corrida do centro de saúde passados 7 minutos por ter “acabado o meu tempo” mesmo que isso significasse que, literalmente, tivesse acabado o meu tempo.

Não gosto de esperar meia hora pelas pessoas muito menos 2 horas. Não gosto de marcar uma consulta e ser atendida 3 horas depois. E muito menos gosto de achar que o sistema social falhou e não protege os mais fracos.

Mas não é de todo disso que se trata.

Viver numa sociedade informal, numa sociedade mais ao sol, implica viver mais perto da humanidade.

Sinto isso aqui, como sentia nas pessoas dw que me rodeava em Lisboa, como nunca senti isso na terra de sua majestade ou dos pinguins a sul.

A bola de gelado com dois sabores em vez de um. As couves da terra da avó à porta de casa. O mel da machamba. A mensagem a confirmar que chegamos bem. E o sorriso largo quando se diz “obrigada”.

A informalidade anda de mão dada com a humanidade. E com o que ela tem de bom e de mau.

E eu sou daquelas humanas informais que ainda nota que o maior sorriso que recebeu, foi o da cozinheira quando perguntou se a tua filha gostou dos pássaros que compraste para a tua filha.

E sou daquelas humanas informais que liga mais ao sorriso na cara da criança que à faca e ao garfo correctamente posicionados nas suas mãos.

Porque cada vez mais sinto que a humanidade é o que acontece depois dos 7 minutos a que a humanidade te dá direito.

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