Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2017

Quando a vida de doméstica é o teu PhD.

Crónica de 23 / 11 / 2017

Voltar a trabalhar depois de 4 anos em casa, pode ser angustiante.

Não estás ansiosa? Não te sentes nervosa?

Muita gente me foi perguntando.

E não, não sentia. A verdade é que desde que fechei a minha empresa, fui mãe, me separei e fiquei uma mãe solteira desempregada, aprendi tudo o que pode ser aprendido sobre a vida: aprendi que tudo corre bem. E mesmo quando corre mal, está tudo bem. E não há nenhum emprego novo que me deixasse ansiosa.

Claro está que de repente emergida numa vida profissional, a ter de responder por mim, por uma equipa, e pela razão que leva uma empresa a me importar de Portugal, já houve um ou outro momento que, se roesse as unhas, roeria as minhas 20. E mais umas 100 dos meus colegas.

Hoje foi um desses momentos em que dei por mim a pensar: e agora? Como descalço eu esta bota?!

Numa reunião de planeamento anual onde eu sou a única fruta fresca, é difícil não achar que tenho de provar que estou ao nível dos meus colegas. Mas é obviamente improvável que eu possa articular os temas que conheci ontem da mesma forma que os articulam quem os conhece há anos.

E agora? Vai parecer que não sei nada!

Lições de maternidade e mulher doméstica são infalíveis:

1) as coisas nunca correm mal. E mesmo que corram, aguenta-te à bomboca com tranquilidade.

2) a verdade salva. aposta sempre na verdade. Tal como a tua cara verdadeira é a que vês no espelho antes da maquilhagem e não outra.

3) a melhor estratégia é estarem todos na mesma equipa. Se não serve de nada dares ordens à tua filha, muito menos servirá fazê-lo a colegas acabados de conhecer.

Chegou a minha vez da apresentação. E disse: "Não tenho muitos dados para vos apresentar, mas vou-vos contar uma história. Vou-vos contar como foi difícil chegar a estas poucas conclusões. Mas o quanto isso significou para cada um."

No fim, olharam para mim a sorrir como quem acredita ter apostado na pessoa certa.

E eu não podia estar mais orgulhosa: venceu a mãe doméstica desempregada. Que aprendeu que ser humilde, mas aceitar percorrer o seu caminho partindo pedra a pedra significa que não se desiste. Mas que se chega onde se quer. Mesmo que seja passo a passo. Como um bebé que começa a andar.

E ele há lá passos mais corajosos, decisivos e certeiros do que de um bebé que começou a andar...

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