Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2017

Nós falhámos como pessoas. Só ainda não como pais.

Crónica de 26 / 11 / 2017

Parada no trânsito, a caminho do trabalho, olho para o lado e vejo estas duas crianças a ajudar no campo, talvez antes da escola, talvez sem escola para irem depois.

Lembrei-me da expressão pré-escolar, e como para grande parte de nós significa todas as brincadeiras e desafios que se fazem com uma educadora antes de ingressar na escola. E que, muito provavelmente, para muitas crianças neste mundo, significa que antes de entrarem na escola primaria estão livres para ajudar a família.

Percebi que falhámos. Como geração, como pessoas, já falhámos.

Tenho a ideia que todos os que temos filhos em idade pré-escolar temos ideia que eles merecem o melhor. E que alguém, outro alguém longe de nós e eventualmente até apenas caracterizado pelo nome de uma instituição, é que falhou a estas crianças.

Parece-me que noas esquecemos redondamente que nenhuma criança nasce a merecer mais que nenhuma outra. E quando a sociedade falha, também nós falhamos.

Nós já estamos a falhar por acharmos que esta desigualdade é aceitável. Mas, felizmente, ainda vamos a tempo como pais.

Como pais, podemos ainda ensinar os nossos filhos que a criança diferente na sala de aula não deve ser gozada mas sim apoiada.

Como pais, podemos ainda relembrar diariamente os nossos filhos que devem estar gratos pelo que têm.

Como pais, podemos ensinar os nossos filhos a dar uma mão, em vez de um pontapé.

Como pais, ainda podemos fazer muito. Como pais, ainda vamos a tempo.

Como pais ainda podemos fazer com que os nossos filhos, quando pais forem, não carreguem esta culpa de não ter feito nada. E esta sensação que só os seus filhos se lembrarão que nascemos todos iguais.

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