Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2017

Bora lá falar de tabus: quando é que normalizamos a menstruação? E todas as suas hormonas todas, claro.

Crónica de 05 / 12 / 2017

Sempre fui daquelas raparigas que reclamava a alta voz sobre a menstruação. Dores. Inchaço. Uns 2 quilos a mais.

A minha avó contava-me de antepassados (leia-se, ela!) que ficavam de cama uns dias e outros (leia-se ela outra vez...) que sofriam de dores horríveis.

Mas confesso que até ser mãe foi daquelas coisas que reclamava mas também porque sou do género de reclamar: o que quero dizer com isto é que sobrevivia.

Depois fui mãe. E digo-vos: quem escreveu o script disto tem um sentido de humor altamente apurado... A roçar o sarcasmo. A roçar assim o "estavas bem era a fazer filmes de terror!"

Desde que fui mãe que a minha menstruação tem vindo a piorar, ao ponto de mal conseguir sair de casa durante 2 dias. Dois dias esses, claro, que gostava mesmo era de ter um canhão que disparasse cola peganhenta so para deixar coladas à parede algumas pessoas que, simplesmente, olham para mim.

Tomei conhecimento há umas semanas que as mulheres, como eu, que foram bastante cosidas no parto, leia-se episiotomia, podem ficar para sempre com a menstruação alterada porque o corte (ou costura...) altera a fisionomia feminina.

Pois eu quero ter direito a voltar a ser inteira mesmo depois de cortada. Fisionómica e emocionalmente!

Cruzei-me no outro dia com a história de uma espanhola, Erika Irusta, que é a primeira pedagoga menstrual, onde a experiencia do ciclo menstrual é respeitada, analisada e lida à luz dos milagres que fazemos a partir das nossas hormonas, e das questões biopsicosocial associadas ao género.

Então mas afinal o que estás a tentar dizer é que devemos aceitar que ficamos malucas durante uns dias?

Sim e não. Estou a defender que nos aceitemos nos ciclos menstruais, que para algumas de nós são uma viagem na maior montanha russa do mundo (depois passa... e depois volta...). Que não nos devemos achar malucas mas sim aceitar que continuamos a ser nós, naqueles dias que engordamos 3 quilos só porque estamos menstruadas, que choramos, que estamos emocionais e que perdemos algum tempo a pensar se queremos matar ou beijar aquela pessoa.

Estou a dizer que somos mulheres. E somos hormonais. E cíclicas. E menstruadas. E tudo isso é parte do milagre de podermos ser mães. E parte do processo mais básico de sermos humanas.

Queremos ser levadas a sério 31 dias por mês. Com mais ou menos hormonas. Mais ou menos menstruadas. A única coisa que podemos fazer é, talvez, avisar com antecedência se o que ganha é a vontade de matar alguém :p

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