Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2018

A saudade é uma bactéria mutável

Crónica de 12 / 12 / 2017

A saudade é assim uma espécie de bactéria mutável.

Assim daquelas bactérias que cada vez que achas que já dominaste, ela muda de forma e ataca-te numa qualquer parte mais fraca.

A verdade é que aterrar, num avião, num sítio novo, é apenas 1% do processo: os outros 99% vão acontecendo. Talvez ao longo de uma vida. Talvez até nem nunca sejam concluídos.

Acontece por acaso que acho que já há talvez uma semana que não sentia saudades da minha vida antiga. Distraída com o trabalho, com um e outro momento social, já há uns dias que não me recordava do desconforto que é não saber se o chão que pisamos é seguro.

E hoje, distraída que estava, quase com a certeza que a vida nova estava, lenta mas seguramente, a solidificar, fui apanhada completamente de surpresa: **estava no ginásio quando, de repente, senti que nada daquilo era previsível, nada daquilo me permitia desligar, tudo me obrigava a uma concentração, a um esforço, que a minha "vidinha do costume" jamais me obrigaria.

Foram muitos minutos de esforço supremo. Não fisico. Porque eu faria, naquele momento, a correr, os 12 mil quilômetros que me distanciam da vida que já conhecia.

Foram muitos minutos a pensar na verdadeira extensão de uma vid nova. Foram muitos minutos a pensar que isto iria passar, tal como qualquer ataque de pânico. Ou qualquer tempestade.

Valeu-me assim o curso de psicologia que a minha mãe muitas vezes acho que não servia para nada. Valeu-me assim os livros todos que li de caca de desenvolvimento pessoal: tudo passa.

E quando olhares para trás, irás rir dos momentos difíceis. Porque são eles que te tiram de um sítio onde já não estavas bem. E te levam, lentamente, como a uma criança, para um sítio novo.

Ainda por cima ginasticada. 5ª feira lá estarei outra vez. Até posso estar em esforço. Mas estarei com uns glúteos bem definidos ;)

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