Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2018

Depois das saudades: a realização pessoal.

Crónica de 13 / 12 / 2017

Hoje foi um dia cheio. Daqueles que não dás nada por ele, achas mesmo que o fim do dia vai chegar igual a tantos outros, e pelo meio a vida bafeja-te com um abraço de vida.

Sai de casa a achar que ia estar sol. Apanhei uma molha.

Depois de apanhar uma grande molha, achei que ia apanhar uma grande seca. Mas descobri um cantor que andava à procura há 2 semanas.

Depois achei que ia ficar a ouvir música. Mas sai e foi ver carros para comprar.

Achei que não ia ver nenhum. Vi 3.

Pensei em ir buscar a Clara á escola cedo para irmos ver um ATL onde ela irá ficar porque a escola fica de férias. Tive de ficar à espera dela porque se atrasaram por causa da chuva.

Enquanto esperava encontrei mais um carro à venda.

Quando chegámos à escola nova ela, em vez de chorar, nunca mais queria de lá sair.

Enquanto espero por ela, atendo o telefone. Alguém que está a trabalhar comigo nesta coisa do HIV. Estava a entrevistar uma prostituta, que trabalha para a associação onde trabalho como activista.

Conta-me que foi uma vizinha que a introduziu a esta vida de forma a ganhar mais dinheiro. Tinha 14 anos.

Estamos os dois num excitex gigante, às vezes há pessoas assim, com quem nos encontramos, desencontrados, a falar temporariamente a mesma lingua.

Ele gosta do que faz. Mas estava com receio de poder faltar ao respeito à rapariga ao fotografa-la.

Eu relembro-me porque gosto do que faço. E digo-lhe:

R. vamos devolver-lhe a dignidade e auto-estima que a vida lhe tirou! Ela é uma heroína! Ela agora ajuda a salvar vidas! Vamos só focar-nos de como se pode escolher ser feliz mesmo quando a vida tenta que não sejas!

Acho que concordámos os dois:

A vida é boa só porque se a vive. Há quem tenha tido o azar de ter de viver muito mais.

É um bom dia quando relembramos alguém que tem todo o direito de ser feliz. E que a sua vida faz de si uma heroína, e não um fracasso.

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