Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2018

Essa cena chamada Natal. E a outra chamada felicidade.

Crónica de 13 / 12 / 2017

O Natal visto à distância é muito engraçado. Para não dizer psicótico.

Visto de longe, existe assim um crescente estado emocional, a ressoar a salvação do mundo, só porque... bem, só porque o calendário fez o seu trabalho em comunicar que a terra é que tinha feito o trabalho todo de dar mais umas voltinhas.

Atenção, adoro o espirito de entre-ajuda. De amor ao próximo. De reflectirmos como podemos ser melhores.

Gosto mesmo da cena das compras, luzes que chegavam para iluminar uma cidade, e stress para cozinhar e comprar que chegava para internar qualquer um durante... uma vida? Vá, talvez só um ano.

Para mim, a cena mais surpreendente de ver à distância, é ver que as pessoas usam o Natal como desculpa: desculpa para falarem de emoções fortes. desculpa para se enfiarem outra vez no centro comercial. ou mesmo uma desculpa para dizerem que, o mundo tal qual está, dá-nos muitas vezes uma sensação de murro no estômago.

Quando passa o natal arranjamos outra rapidamente. Porque o que me parece, mesmo, é que as pessoas cada vez mais têm medo das suas próprias emoções ou desejos. Seja de mandar o chefe à merda ou de gastar a porcaria do dinheiro do seguro numas calças novas e que se dane o resto.

Eu como não sou de ligar muito ao natal, e este ano tenho tentado passar ao lado da magnitude possível do evento para a Clara não sentir falta da família que está longe, sinto-me assim a navegar num mar de emoções várias. Mas calmas: tenho muito por onde me inquietar ou emocionar se quiser. Ou então não: posso passar estes dias como outros quaisquer, posso dormir antes da meia noite, posso almoçar uma sandes na praia no dia de natal.

Posso ser exactamente a mesma pessoa que sou o ano inteiro. Ou decidir que quero mais. Por mim. Porque sim. Porque eu sou uma boa desculpa o suficiente.

Voltei entretanto a ler e deparei-me com o livro que fala da felicidade, mas que o procura fazer de uma forma científica: procura identificar exactamente os processos para sermos felizes, de forma a que todos o possamos reproduzir.

A descoberta, para eles, que deve ser o ponto de partida é este: já repararam que ninguém é feliz por dize-lo? Que, muitas vezes, somos felizes quando estamos a lutar por algo? a sofrer para que algo aconteça? a esforçar-nos para conseguir algo?

Espero que isto não destrua o vosso espírito de natal. Mas a conclusão é óbvia: o melhor do natal é fazê-lo acontecer.

Então bora lá não stressor até ao dia 25. Nem entrar em depressão depois disso ;)

(PS: relembrem-me se eu me esquecer :))

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