Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
Todos os direitos reservados.
2018

"Para 2018: amor próprio!" Estou feita ao bife...

Crónica de 16 / 12 / 2017

No outro dia, imbuída do espírito de "gaja", fui-me por a ler os horóscopos para 2018, tentando assim acalmar alguma ansiedade e ler algo que, mesmo que longe de ser verdade me pudesse apaziguar a ansiedade e deixar já, de antemão, no início do jogo, com sensação de vitória.

Sejamos crentes nesta coisa de horóscopos ou não, a verdade é que já muitas vezes li uns que não fugiam muito da verdade: só vai ter dinheiro a partir de Abril, até Outubro não conte com facilidades, estes anos são de aprendizagem e não de diversão, etc etc... um rame-rame de frases que a minha vida posteriormente confirmava.

Ora então que dizia o horóscopo de 2018? Sucesso no trabalho (Boa!) projecção social (Ena!) fluidez financeira (finalmente!!!!) amor próprio (Er... espera... o quê??!!!)

Porra mas num ano que se avizinha tão positivo e de vento em poupa, o amor não podia ser de outro?! se o amor da minha vida fosse pedir muito num ano já tão cheio de boas notícias, não podia ser pelo menos um grande amor? amor fulminante? Haverá alturas, lá para o verão, onde pode encontrar algumas paixões. Ah, espera, então mais do mesmo que vivo nos últimos 40 anos é isso? Ó karma amoroso?! Não ouviste dizer que 2018 era o ano dos escorpiões?! Que parte te está a falhar ouvir?! bateste com a cabeça?!

Mas encontrará o melhor amor de todos: o amor próprio. Estivesse eu no inverno e este pedaço de papel via a lareira mais depressa que um ladrão se põe a correr quando ouve a sirene da policia.

É que comigo eu vivo há quase 40 anos portanto, a bem ou a mal, já aprendi a gostar de mim! A aceitar-me como sou! A ter dias que mudava algumas coisas mas, na grande maioria deles, a conviver com as minhas qualidades e defeitos com sinceridade! Se isto não é amor não sei o que será!!!

Mas depois lembrei-me de todas as vezes que aceitei menos do que queria na tentativa que gostassem de mim. De todas as vezes que não disse basta! logo na primeira vez que algo era insuficiente. Que sorri em vez de dizer *assim não, obrigada. Que insisti em vez de desistir. Que disse está tudo bem em vez de dizer isto não é aceitável. Que voltei, em vez de voltar costas. Que fiquei em vez de ir. Que tentei em vez de deixar ir.

Depois lembrei-me de todas as vezes que, sabendo que não era feliz ali, tentei. De todas as vezes que insisti, apesar de o outro lado me dar apenas um décimo do que eu investia. Até antes de ser uma relação. Que se acontecesse, já começava perneta.

Olhei para o horóscopo e pensei: ok da lareira já te safaste. Deixa ver se faço de ti um origami, já que vamos passar algum tempo sozinhos os dois. Comecemos por fazer um coração. Para mim. A seguir aprendemos a fazer um manguito.

Mais Crónicas:

-->