Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
Todos os direitos reservados.
2018

Fico com ela na 6ª feira! Vai lá sair!

Crónica de 19 / 12 / 2017

Fico com ela na 6ª feira! Vai lá sair!

Disse-me. Acho que não cheguei a responder. Isto porque a verdadeira resposta demoraria mais que o tempo que tinha.

Não é a primeira nem a segunda nem... bom, este tipo de sugestão chove-me mais ou menos amiúde. Assim como um macaco na jaula do zoo recebe regularmente um amendoinzeco ou bocado de banana.

Não sei o que está mais longe da realidade: se acharem que eu me sinto presa, se acharem que aquela lasca de liberdade me saciará.

No outro dia foi a primeira vez que pensei sobre isso: que sentiria eu de facto se agora pudesse sair sempre à noite?

Viajei na minha mente até aos sentimentos que tinha quando saia à noite olimpicamente. Quando conhecia todo e qualquer local da moda da noite. Onde tratava os porteiros por tu e tinha sempre um amigo, conhecido e ambos para conversar até de manhã, quisesse eu.

Depois viajei até um sítio que raramente visito: o que sentia eu antes de sair de casa.

Se no início da adolescência havia um sentimento de sede por uma liberdade desconhecida, aos 30 e muitos, quase 20 anos depois de começar a sair à noite, não havia nada de novo: apenas uma incapacidade de ficar sozinha em casa. Um receio enorme que aquela solidão fosse um vazio.

Ter escolhido ser uma mãe que fica em casa com a filha, não é uma versão lamechas da mãe que deixou tudo em nome da filha.

Ter escolhido ser uma mãe que fica em casa com a filha é a história de uma mãe que se descobriu a si própria depois de ser mãe. E que, sim, a partir daí foi guiada por uma mariquice chamada amor: o amor à filha. Mas também pelo recém-descoberto amor por si própria.

Mais Crónicas:

-->