Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2018

Dessa coisa estranha chamada felicidade.

Crónica de 20 / 12 / 2017

Ontem cheguei a casa e pensei o quanto estava feliz com o meu novo trabalho.

Assim feliz mesmo, de gostar do que faço, de todos os dias me cruzar com uma história que me toca o coração, de ir indo, sempre, sentindo que fiz todo um percurso para chegar aqui, a um sítio onde não desenhei mas para onde sempre caminhei.

Depois tive medo, como temos sempre medo quando as coisas correm bem: poderão vir a correr mal! (ou sou só eu depois de uma série de tropeções?!...)

Então pus-me a pensar no que era essa felicidade que eu estava a sentir. Para perceber se ela era assim tão frágil que me pudesse ser retirada por uma simples brisa um pouco mais forte.

A verdade é que tenho problemas no meu trabalho todos os dias. Ainda estou a aprender muitos dos meandros do mesmo pelo que certamente errarei algumas vezes. Apanho trânsito. Não consigo logo os resultados que quero. Ou as respostas. Mas estou feliz. Que raio...

Que raio é esta coisa estranha chamada felicidade, que afinal não é assim tão frágil, mas também não é assim tão glamorosa?!

Lembrei-me de um livro que comecei a ler que dizia isso mesmo: o erro está em pensar que a felicidade é um estado estático, em perpetuo sorriso. Porque na verdade a felicidade é, felizmente, muito mais que isso.

A felicidade é também aquele serão secante no sofá sem nada para ver. Mas ao lado de quem mais queremos. É aquele jantar requentado de há 3 dias, cozinhado por ser o prato preferido da tua filha. É a música que dá na rádio enquanto estás parada ano trânsito. É a sensação que estás a fazer o melhor que podes, mesmo que nem sempre isso baste (aos outros, pelo menos).

A felicidade é mesmo ter uma especie de paz no coração. Que faz de todo o errado, certo. De todo o cinzento, apenas mais uma cor do arco-iris.

A felicidade pode, inclusive, ser aquele dia que tudo corre mal. E ainda assim tudo está bem.

Fiquei descansada: que bom que é poder ser feliz numa vida absolutamente banal.

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