Crónicas das Maternidade

Thoughts, stories and ideas.

Autoria de Patrícia Costa
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2018

Posso blogar só com a mente?

Crónica de 03 / 01 / 2018

No outro dia o facebook enviou-me uma mensagem a alertar que há muito tempo que não colocava nada online e que quem me seguia poderia sentir falta.

Contudo, o que ele não sabia, é que este silêncio foi (é?) propositado.

Com o Natal e fim do Ano, e aquele clichê das resoluções e blá, blá, blá, dei por mim a pensar para onde devia dirigir a minha mente.

Depois de um ano cansativo de 1) procurar viver do blog, 2) perceber que não conseguia viver do blog, 3) pensar em emigrar, 4) decidir emigrar, 5) emigrar, 6) começar toda uma nova vida emigrada, confesso que me estava bem a barimbar para grandes resoluções: eu só queria mesmo era papas e descanso.

Conforme começo a reflectir nisto, começo a aperceber-me que passei os últimos tempos a evitar o silêncio. E porque para estar em silêncio não é importante estar sozinha, noto que o fiz principalmente quando estava sozinha: a altura em que poderia ouvir os meus próprios pensamentos.

A verdade é que tanta rede social, facebook, instagram, notificações disto e daquilo, fotos daqui e dacolá são todos uns excelentes ajudantes à falsa ideia de uma falta de tempo, de um ruído, que tem, ainda por cima, a vantagem de ser silencioso pois lemos quem queremos no silêncio de nossa casa.

Todo este ruído ao alcance de on login/logout, fez-me perceber que na verdade andava a fugir a um outro ruído: o ruído da minha voz.

Percebi que é tão fácil fazer de conta que não temos tempo porque todo o que temos usamos a garantir que não o temos.

Parar. Observar. Contemplar. Esperar. Ouvir a nossa voz. Obrigam a um grande esforço: esforço este que se evita ao alcance de um simples login.

Ver os feeds. Alimentar os feeds. Ler nos feeds. Não ler os feeds mas ver os feeds. Ufa.... estou cansada. Vou deixar o silêncio para amanha!

Nestes dias de silêncio, tive muito pouco silêncio: ouvi a minha filha brincar. Ouvi a minha mente falar. Ouvi os pássaros a cantar.

A única coisa que deixei de ouvir foi o deslizar do meu dedo pelo login no telefone. E que bem me soube. Tão bem que o que gostava mesmo era de poder partilhar tudo convosco directamente da minha mente.

Blogar só com a mente, pode?

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